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«Guga» Seyboth Wild impressiona a quadra central de Roland Garros com a façanha de nocautear Medvedev

Seyboth Wild
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(Nota aos nossos leitores: este é um material especial em português em parceria com nossos colegas da Tennis View).

PARIS – Seu apelido não é «Guga», mas hoje ele merece ser chamado assim. Thiago Seyboth Wild, um brasileiro de 23 anos, impressionou o estádio principal de Roland Garros na terça-feira ao derrotar um dos maiores nomes do tênis, o russo Daniil Medvedev.

Vinte e seis anos atrás, a caminho de seu inesperado primeiro título do Aberto da França, Gustavo «Guga» Kuerten também enfrentou um Medvedev, o russo Andrei Medvedev, a caminho da Taça dos Mosqueteiros. Kuerten venceu aquela partida das oitavas de final, Seyboth Wild venceu essa partida da primeira rodada. Déjà vu em Paris?

Seyboth Wild, classificado em 172º lugar no ranking mundial, nunca esteve sequer entre os 100 melhores do mundo, mas sua exibição na Philippe Chatrier foi a de um jogador entre os dez melhores, exceto em um momento-chave, quando ele tinha a partida nas mãos para vencê-la mais facilmente: uma vantagem de um set e uma vantagem de 6-4 no tie break do segundo set.

Naquele momento, Seyboth errou um forehand no meio da quadra e um smash que deu o set ao número dois do mundo. Mas o brasileiro se recompôs e, em uma tarde levemente quente na primavera parisiense, eliminou o recente campeão do Aberto da Itália por 7-6 (7-5), 6-7 (6-8), 2-6, 6-3 e 6-4 em quatro horas e 15 minutos de jogo eletrizante.

O brasileiro, campeão júnior do US Open em 2018 e campeão do ATP Viña de Santiago do Chile em 2020, derrotando o norueguês Casper Ruud na final, é um jogador que vivia na sombra, mas isso não será mais o caso.

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Seu tênis impetuoso, porém elegante, sua potência e a exibição que mostrou na terça-feira o colocarão de volta aos holofotes internacionais para ouvir a mesma pergunta com frequência: por que ele não está mais alto no ranking, por que não é um dos principais jogadores do circuito?

Problemas pessoais – um relacionamento tempestuoso com uma influenciador que incluiu denúncias à polícia – lesões e uma atitude talvez nem sempre tão profissional pesaram na decolagem do brasileiro, que, ao vencer o ATP 250 de 2020 no Chile, tornou-se, com o 182º lugar no ranking mundial, o mais jovem jogador de seu país a triunfar nesse nível.

Seyboth Wild, que chegou à chave principal do torneio ao vencer três partidas no qualifying, mostrou no saibro parisiense um saque muito potente, um forehand furioso com o qual sempre comandou e um backhand de duas mãos. O festival de golpes brilhantes na quadra central foi uma reminiscência da descoberta de Kuerten em 1997, exceto pelo detalhe de que o ex-número um do mundo jogou com um backhand de uma mão.

Qual foi a tática dele hoje, perguntou o ex-tenista francês Fabrice Santoro a Seyboth Wild após a partida.

«Procurar os ângulos, usar meu forehand contra o dele… funcionou muito bem, heh», disse o brasileiro de 185 centímetros com um sorriso. «Estou muito feliz com a maneira como estou jogando. Se você trabalha duro, é recompensado.

Além do fato de ambos terem se livrado de um Medvedev, há outros paralelos com o avanço de Kuerten em 1997: ambos os jogadores são do sul do Brasil; Kuerten do estado de Santa Catarina, Seyboth Wild do estado do Paraná.

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Se em 1997, Kuerten era representado pelo peruano Jorge Salkeld, 26 anos depois, Seyboth Wild também está trabalhando com ele.

Essa história da década de 1990 se tornou uma lenda, com Kuerten somando mais dois títulos em Paris e alcançando o topo do ranking em 2000. Seyboth Wild, três anos mais velho do que o Kuerten de 1997, acabou de entrar em ação, mas não há ninguém ou nada que possa lhe tirar a maior alegria de sua carreira.

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