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Landaluce, o espanhol patrocinado por Nadal que lê Sêneca e ignora as redes sociais

Martín Landaluce, en una foto promocional de la ATP / ATP Tour
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MADRÍ – “Olha, aquele ali é o ‘Tintim’. Lembra-se disso, ele vai arrasar”. Miguel Avendaño, filho do ex-capitão espanhol da Copa Davis de mesmo nome, caminha pelo Club de Campo de Madrid e fala com orgulho de seu amigo Martín Landaluce. Estamos em abril de 2023, primavera na capital da Espanha, e muitos fãs do Challenger estão de olho nesse garoto de 17 anos, cabelo loiro e encaracolado como um querubim, olhos azul-marinho e uma presença imponente, com 1,93 metro de altura. É normal: “Tintín”, como seus amigos o chamam por causa da semelhança física com o personagem de Hergè, está causando sensação.

Sete meses antes, em Nova York, ele havia conquistado o US Open júnior e, pouco depois, assinou contrato com a Rafa Nadal Academy. Já instalado em Maiorca e treinando ao lado do 14 vezes campeão de Roland Garros, Landaluce ascendeu, em fevereiro de 2023, ao primeiro lugar do ranking mundial júnior. A Espanha acabara de abrir uma garrafa de champanhe para comemorar o sucesso de Carlos Alcaraz e já estava colocando outra na geladeira para celebrar os sucessos de Landaluce.

A essa euforia compreensível seguiu-se a lógica esmagadora: a transição para o profissionalismo é difícil e longa. O que acontece é que há exemplos, gênios como Nadal ou Alcaraz na Espanha, especificamente, que nunca podem servir como termômetro. Enquanto alguns poucos chegam com explosão, a maioria precisa de um cozimento lento. Landaluce ainda está imerso nesse processo, nesse caminho que quer terminar com o salto definitivo para a elite: passar de vencer torneios Challenger (já tem dois) para sonhar com grandes sucessos no circuito profissional. Não é uma mudança fácil: o normal é o seu ritmo, não a loucura de Alcaraz agora ou de Nadal há algumas décadas.

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Miami, um novo amanhecer

“Ver-te entre os melhores em grandes estádios jogando bem reforça e deixa claro que o caminho é o correto”, afirma agora Landaluce no Masters 1000 de Miami, onde nesta semana, já com 20 anos, realizou o melhor torneio de sua vida. Seis vitórias consecutivas, desde a fase preliminar até as quartas de final. O jovem madrilenho conquistou cinco vitórias contra tenistas do top 100: entre suas vítimas, Luciano Darderi (18º da ATP), Karen Khachanov (15º) e Sebastian Korda (36º e responsável pela derrota de Alcaraz dois dias antes). Um verdadeiro aviso.

“Torneios como este ajudam a melhorar muito”, acrescenta Landaluce em Miami, onde apenas uma derrota para Jiri Lehecka por 7-6 (7-1) e 7-5 o impediu de chegar às suas primeiras semifinais de um Masters 1000 e de finalmente quebrar a barreira do top 100. Na segunda-feira, porém, ele subirá mais de 40 posições e ficará a apenas duas vagas dos cem primeiros. O céu está mais perto.

Martín Landaluce comemora um ponto / RFET

Há algo que chama fortemente a atenção em Landaluce num mundo tão exigente como o do tênis: ele combina sua ascensão à elite com os estudos universitários. Entre um treino e outro, o madrilenho estuda Administração e Gestão de Empresas. E quando não tem muito o que revisar, ele não se distrai com as redes sociais: na verdade, ele não tem os aplicativos do Instagram ou do TikTok instalados no celular, mas acessa uma ou duas vezes por semana pelo computador. Isso toma tempo, diz ele. E tempo é ouro, acrescenta o tenista.

Em vez de se distrair com reels e vídeos intermináveis, ele mergulha nos ensaios dos grandes filósofos antigos, como Sêneca. “Acho que isso me ajuda muito no tênis, é um momento que dedico a mim mesmo, em que estou tranquilo, sem barulho nem nada, acalmo todos os pensamentos”, admitiu Landaluce em uma entrevista à “Relevo” há um ano.

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Sob a orientação de Óscar Burrieza e Esteban Carril, e com a ajuda também de Gustavo Marcaccio, que fez parte da equipe técnica de Nadal no final de sua carreira, Landaluce reconhece que sofreu grande influência do campeão de 22 Grand Slams. Com Nadal ainda na ativa, Landaluce compartilhou várias sessões de treino em Maiorca. “É muito bom para mim conversar com ele, receber conselhos dele, isso ficou gravado na minha cabeça. Nas vezes em que treinávamos, eu tinha 15 ou 16 anos e ele jogava contra mim dando tudo de si. Isso ficou gravado em mim. Tenho parte da mentalidade dele, desse espírito de luta dos espanhóis”, afirma Landaluce, cujo agente é o mesmo que orienta a carreira de Alcaraz, Albert Molina, da IMG.

A espera foi longa, mas Landaluce já está aqui. Miami é a sua confirmação, a sua estreia. Ainda tem um longo caminho a percorrer e derrotas a engolir, mas parece ter a armadura adequada para não se queimar no processo. Enquanto o mundo do tênis gira a uma velocidade vertiginosa, buscando ansiosamente o próximo fenômeno viral, Landaluce prefere o ritmo dos clássicos.

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