O Paraguai volta a ter um lugar no tênis mundial graças a Daniel Vallejo. O jogador de 21 anos venceu nesta quinta-feira o búlgaro Grigor Dimitrov por 6-4 e 6-4 em sua estreia no Masters 1000 de Madri e se tornou o segundo tenista de seu país a ganhar uma partida nessa categoria. O primeiro desde 2014.
“Sei que, com o passar dos anos, vou continuar quebrando recordes, porque o Paraguai não tem uma grande história no tênis além de Víctor Pecci e Ramón Delgado. Tenho consciência de que, se tudo correr bem, vou seguir superando minhas marcas pessoais. Para mim, tudo isso é um feito histórico”, disse o paraguaio a um grupo reduzido de veículos, entre eles a CLAY, em Madri.
Um momento espetacular, que o deixa com a confiança lá em cima. “Tenho muita fé em mim mesmo e sei que posso jogar de igual para igual contra um jogador como o Grigor. Fiquei surpreso, obviamente, com a qualidade que ele tem e com os golpes que por momentos executava, mas estou consciente de que posso estar no nível dele e de outros jogadores. Isso também faz com que eu acredite que posso vencer esse tipo de adversário”, respondeu à pergunta da CLAY o ex-número 1 do mundo juvenil.
Apesar da curta carreira, Vallejo já faz parte do trio mais importante do tênis paraguaio ao lado de Víctor Pecci e Ramón Delgado, duas figuras pelas quais não esconde admiração.
“O Pecci sempre será um ídolo para todo o Paraguai, porque é provavelmente o maior esportista do país, mas o Ramón Delgado eu vivi e sigo vivendo, porque ele está na minha equipe e é uma pessoa que, desde muito cedo, esteve perto de mim, me apoiando até hoje. Falo com ele todos os dias. Tomara que eu possa ter uma carreira como a dele”, disse à CLAY na Caja Mágica.
Víctor Pecci foi número 9 do mundo, finalista de Roland Garros em 1979 e semifinalista em 1981, além de dez vezes campeão de torneios ATP em simples; enquanto Delgado chegou à quarta rodada de Roland Garros em 1998, alcançou o posto 52 do ranking mundial e somou nove vitórias em nível Masters 1000.
A passagem à segunda rodada na capital espanhola é a consagração de um trabalho sistemático que o sul-americano vem desenvolvendo desde meados de 2025. Nos últimos meses da temporada passada, conquistou dois títulos Challenger e, neste ano, também levantou o troféu nos Challengers de Itajaí e Concepción. Em nível ATP, neste 2026 já alcançou as oitavas de final em Houston e Santiago, além da terceira rodada do qualificatório do Australian Open. No momento, é o novo número 85 do mundo.
“Estou apenas começando, então as pessoas ainda estão começando a se entusiasmar comigo, mas ao longo da minha carreira espero que possam se emocionar com isso e também queiram praticar o esporte e me acompanhar, porque, no fim das contas, é isso que a gente deseja: poder colocar o esporte e o próprio nome no país”, refletiu sobre a importância que seus sucessos podem ter na abertura do tênis no Paraguai, um país onde o esporte ainda está associado aos setores mais acomodados da população.
O fenômeno Vallejo é mais um exemplo de uma mudança de paradigma que se aproxima no tênis mundial: a chegada massiva de nações sem tradição aos principais eventos do circuito. Prova disso são os nomes da filipina Alexandra Eala e da turca Zeynep Sönmez no circuito feminino, e os do paraguaio e do peruano Ignacio Buse no masculino.






