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“Estou lendo ‘A Arte de Morrer’, de Sêneca” – Martín Landaluce, o tenista diferente

Spain's Martín Landaluce, at the Italian Open 2026 / SEBASTIÁN FEST
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ROMA — Martín Landaluce nem pestaneja ao explicar como dedica o pouco tempo livre que sua vida dupla de tenista profissional em ascensão e estudante universitário dedicado lhe permite.

“Estou lendo ‘A Arte de Morrer’, de Sêneca”, diz o espanhol de 20 anos durante uma entrevista com a CLAY no Aberto da Itália, em Roma.

Landaluce lembra, assim, o argentino Guillermo Vilas, que nos anos 70 e 80 era uma “rara ave” do circuito que dedicava horas e horas a ler e escrever poesia. O espanhol poderia ter vivido muito bem naquela época, pois as redes sociais não tomaram conta nem de seu tempo nem de sua alma.

Em “A Arte de Morrer”, Sêneca defende que é preciso ver a morte como uma libertação, pois a vida é uma jornada rumo à morte. Paradoxalmente, Landaluce está surgindo no primeiro plano do tênis: este ano chegou às quartas de final de Miami e se estabeleceu entre os cem melhores do mundo. E na turnê europeia de saibro continua crescendo como jogador. Ele se sente, diz, “como um guerreiro”. Vindo de um espanhol, isso é dizer muito.

– Você está nas grandes ligas do tênis, se sente assim?

– Sim, acho que estou cada vez mais inserido no circuito, acho que estou fazendo ótimas partidas. Neste caso [Roma], tive muita sorte com o Lucky Loser e passei mais cedo. Aproveitei muito bem, estava com muita vontade de jogar naquela bela quadra [a Nicola Pietrangeli, cercada por estátuas de atletas olímpicos clássicos, esculpidas em mármore de Carrara] com um grande jogador como Marin Cilic.

– Você está indo cada vez melhor como tenista, como está indo, então, na sua faculdade de administração e gestão de empresas? Sua carreira não está sendo prejudicada pelo seu crescente sucesso como tenista?

– Sim, tem suas dificuldades quando você está jogando bem, porque são muitos jogos e é preciso enviar trabalhos e fazer provas à distância, e isso exige bastante tempo. E entrar em contato com outros colegas para fazer trabalhos em grupo também, ou seja, isso exige bastante tempo. E, às vezes, estou tendo um pouco de dificuldade, mas há dias em que estou livre ou tento dedicar três ou quatro horas para avançar um pouco no que havia ficado para trás. Mas é verdade que você fica sempre um pouco atrasado na matéria e precisa recuperar o atraso. Vou tentar continuar fazendo isso com calma, e se algum dia ultrapassar o tempo que preciso ou que posso dedicar, então terei que tomar medidas.

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– Onde você estuda?

– É uma universidade na Espanha [a Universidade Internacional de La Rioja] que oferece certos auxílios para jogadores, para atletas. No meu caso, consigo conciliar.

– Quantos anos faltam ou quantos anos são?

– Bem, esse curso tem duração de quatro anos e eu faço metade das disciplinas; em vez de dez, faço cinco. Ou seja, em teoria, vou tentar me formar em oito anos; é um projeto longo e tranquilo. Se eu conseguir fazer cinco disciplinas por ano, vou ficar tranquilo; se conseguir fazer mais, farei mais. E se não, vou tentar arranjar tempo.

– Você conhece alguém no circuito que faça algo parecido?

– Sim, acho que há algum jogador, mas entendo que não sejam muitos, porque o tênis exige muito tempo. Eu ainda tenho um pouco mais de tempo para dedicar a isso e, enquanto tiver algo para ocupar a cabeça, continuo me desenvolvendo. Por outro lado, acho que é positivo.

Martín Landaluce, durante a entrevista com a CLAY em Roma / SEBASTIÁN FEST

– E por quê? Quer dizer, por que você faz isso se a maioria não faz?

– Porque acho que, de certa forma, isso me ajuda bastante a manter uma organização, já que no tênis tenho bem claro o que preciso fazer. E também é mais uma responsabilidade que tenho e que me faz, ou pelo menos é o que acredito, amadurecer de certa forma. Não perco tempo à tarde, tenho que me dedicar a algo que às vezes me custa, para o qual nem sempre tenho toda a paciência ou todo o tempo necessário… E, acima de tudo, porque continua a desenvolver a minha mente. E se, em algum momento, que é o que pretendo, eu começar a administrar empresas, a ter uma empresa própria, investimentos, tudo o que eu puder aprender neste curso acho que me beneficia. Vou continuar com esse plano.

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– Mas você já é, em si mesmo, a sua própria empresa, ou está pensando em administrar outro tipo de empresas?

– Sim, a minha própria, quero administrá-la da melhor maneira possível. Por exemplo: tenho uma disciplina que também é de direito, que envolve muitas leis, e isso me faz bastante bem. Tenho microeconomia, há disciplinas que me servem para o tênis, para a empresa que sou eu e, se no futuro eu quiser expandir, quiser ter certos negócios ou qualquer coisa, ter certas informações e saber um pouco sobre o assunto.

As arquibancadas do Estádio Nicola Pietrangeli, no Foro Itálico de Roma / SEBASTIÁN FEST

– Você ainda não tem redes sociais no seu celular?

– Sim, no celular eu geralmente não tenho, às vezes eu baixo o aplicativo em semanas como esta em Roma, onde há muita gente e eu tenho que ajudar a postar mais coisas ou responder às pessoas. Eu baixo o aplicativo, mas normalmente uso as redes sociais pelo computador e, à tarde, às vezes dou uma olhada e pronto.

– E você continua lendo Sêneca e outros filósofos?

– Sim, sim, sim. Agora estou lendo “A Arte de Morrer”, de Sêneca. Às vezes, saio um pouco desses livros para ler outros que também me ensinam de maneiras diferentes.

– Você jogou no estádio Nicola Pietrangeli, cercado por 18 estátuas de mármore de Carrara que representam atletas olímpicos. Como você se sentiu?

– Eu me sentia como um guerreiro. Isso me dava muita energia.

 

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