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Ex-físio de Serena Williams duvida de seu retorno: “É mãe, tem 44 anos e está há quatro temporadas sem competir”

Serena Williams y Rubén Mateu | Cedida
Serena Williams y Rubén Mateu | Cedida
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MADRI — Serena Williams escolheu muito bem o torneio para o seu retorno, mas seu corpo não vai suportar novamente a exigência da alta competição, opina uma das pessoas que melhor conhece os músculos e ossos da ex-número um.

“A realidade é que eu não consigo imaginá-la competindo em um nível físico como quando competia antes da gravidez. Mas, bem, tomara que ela me surpreenda e tomara que conquiste sucessos. Mas eu, sinceramente, não consigo imaginá-la”, disse em conversa com a CLAY o espanhol Rubén Mateu, fisioterapeuta de Serena Williams entre 2016 e 2021.

Serena Williams, uma das melhores tenistas da história, campeã de 23 Grand Slams e número um por 319 semanas, retorna às quadras no torneio de Wimbledon, onde competirá tanto em simples quanto em duplas com sua irmã Venus. Reaparecerá na grama londrina com 44 anos, sendo mãe de duas meninas e tendo pendurado a raquete há quase quatro temporadas, em setembro de 2022. O desafio é gigantesco até para ela, uma das atletas mais ferozes que já existiram. Uma competidora com todas as letras.

Rubén Mateu | Cedida
Rubén Mateu | Cedida

Poucos conhecem melhor os limites e a fisionomia da caçula das Williams do que o espanhol Rubén Mateu, o fisioterapeuta que ajudou a americana em sua última etapa. Com Mateu em seu box, Serena Williams conquistou o último de seus 23 grandes títulos, o Aberto da Austrália de 2017. Ganhou, além disso, estando grávida de oito semanas, e o título serviu para que retornasse ao topo do ranking aos 35 anos.

Radicado agora na cidade de Castellón, no Mediterrâneo espanhol, Mateu continua tratando atletas de alto rendimento, mas já não viaja pelo circuito de tênis. Em uma de suas pausas na clínica Roots, Mateu atendeu o telefone para analisar para a CLAY o retorno de Serena Williams. A admiração que sente pela americana mistura-se com as dúvidas lógicas de como ela vai reagir.

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“O corpo de Serena não é normal, porque ela é uma superatleta, mas também é o corpo de uma pessoa de 44 anos que está há um tempo sem competir na elite”, alertou Mateu. O especialista espanhol reconheceu o monumental esforço da tenista, plasmado em uma evidente perda de peso que transformou sua silhueta recente. No entanto, esclareceu que o verdadeiro desafio não é estético, mas mecânico. Para competir com garantias no circuito atual, é preciso ter uma disciplina espartana: muito trabalho de força diário e uma gestão milimétrica do tempo de treino.

É aí que Mateu situa a grande encruzilhada de Serena, uma que vai muito além das quadras de tênis e que se choca frontalmente com sua realidade familiar após ter sido mãe em 2017 e em 2025. “Para poder retornar ao nível que ela teve, você precisa investir 12 horas por dia e se esquecer um pouco da maternidade ou do cuidado maternal, e isso, conhecendo-a, é um desafio pensar que ela vai se esquecer das filhas. Mas se você não fizer isso, não consegue. Estou convencidíssimo”, assegurou com propriedade o fisioterapeuta espanhol.

Rubén Mateu, durante su época con Serena Williams | Cedida
Rubén Mateu, durante su época con Serena Williams | Cedida

O Fantasma da Maternidade na Elite

A história recente do circuito WTA respalda as dúvidas de Mateu. O tênis moderno se tornou um moedor físico que não entende de passados gloriosos. “O corpo de uma pessoa de 44 anos que foi mãe duas vezes… Eu não me lembro de alguém que tenha retornado assim ao esporte profissional”, analisou o ex-físio da norte-americana, que citou como exemplo os casos de Naomi Osaka ou Kim Clijsters, ex-números um que batalharam sem sucesso para reencontrar sua antiga versão após a maternidade. “É gente que foi top, que foi número um, e embora tenham competido bem, em nenhum momento voltaram ao seu nível máximo”, disse Mateu. A Serena Williams se junta um coquetel quase proibitivo: a barreira dos 44 anos e quatro temporadas de inatividade competitiva.

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O fator que mantém viva a chama é, sem dúvida, a mente. É Serena Williams. “Sua mera presença no túnel dos vestiários vai intimidar as rivais”, assegurou Mateu. “Também não acho que ela esteja muito preocupada com o resto. Não acredito que seu objetivo seja ganhar títulos. A esta altura, ela não tem que provar nada a ninguém. Mas também é verdade que vai ser estranho vê-la competir sem a fome de querer ganhar tudo”.

Para Mateu, esta jornada já não é sobre recordes ou buscar o 24º grande título que tanto lhe escapou na reta final da carreira. O motor atual de Serena Williams é a diversão de voltar a sentir a adrenalina. Mesmo assim, o espanhol adverte que a natureza competitiva da ex-número um é inalterável, e que o vestuário voltará a presenciar suas famosas tempestades internas se as coisas não correrem bem em quadra. “Sei que depois de uma partida, se não correr bem para ela, voltará à situação anterior, que é frustração e tensão. Haverá momentos em que não se poderá falar com ela e será preciso manter as distâncias. Para a Serena, no fim das contas, dói muitíssimo perder. E isso não muda.”

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