PARIS – O tênis tem um problema enorme com as apostas e a solução não é nada simples, opina o jogador chileno Alejandro Tabilo.
“É quase impossível de regular, já que a maioria dos grandes patrocínios de alguns torneios são de apostas. É duro isso”, disse em entrevista à CLAY o número 30 do ranking ATP durante a última edição de Roland Garros.
Tabilo recebeu tantos xingamentos nas redes sociais que até se acostumou. No entanto, os apostadores às vezes ultrapassam barreiras dificilmente aceitáveis. “Mensagens também chegam para a família, essa parte eu acho que é um pouco dura. Não sei se receber uma mensagem para a minha namorada também é mais preocupante, mas com certeza afeta um pouquinho mais”.
O campeão de três títulos ATP falou também na entrevista sobre a ilusão de enfrentar Carlos Alcaraz no confronto da Copa Davis entre Chile e Espanha em setembro, em Santiago, e também do sonho de alcançar a segunda semana de um Grand Slam.
– Ganhou um Challenger na gira de saibro e está se aproximando do seu melhor ranking, como se sente?
– Estou muito bem, com muita confiança. Estive treinando bem nestes meses, também em Roland Garros. Estou feliz de estar aqui, outro Grand Slam. Muito contente por como estamos evoluindo fisicamente nestes meses.
– Diz “outro Grand Slam”. Não sei se já é como uma rotina para você ou se ainda tem a ilusão da primeira vez.
– Cada Grand Slam a que a gente chega é sempre especial, e tento não dar nada como garantido, valorizar um pouco tudo o que fizemos. É incrível ver quantos anos já estamos jogando e é lindo estar em um Grand Slam. Os Grand Slams sempre te dão a ilusão de tentar ser o melhor e poder avançar. Chegar à segunda semana alguma vez seria muito lindo.
– Como está sendo a nova etapa com Germán Gaich como treinador?
– Está sendo muito legal e estamos formando uma boa equipe. Passamos um par de semanas na Argentina todos juntos e foi muito bom. Tivemos muitas vitórias, tem sido muito bom. Começar é sempre duro, mas estou muito feliz. Temos trabalhado muito mais em quadra, tentando fazer coisas novas e acho que isso é o importante: sempre estar ali tentando melhorar e aprimorando tudo.
– Em setembro há um Chile x Espanha na Copa Davis, em Santiago. Prefere que Alcaraz vá?
– Não sei, já passamos pela Sérvia, que também foi quase a mesma coisa ali, se queríamos que o Djokovic jogasse… De qualquer forma, a gente sempre pode pedir ou querer algo, mas no final a decisão é deles. Pelo Chile seria lindo se o Alcaraz viesse, a gente sempre quer tentar vencer os melhores, e ter uma equipe completa da Espanha ali seria incrível. Como confronto seria lindo, mas obviamente a gente sempre quer ganhar e quem vier tem que saber que vamos estar muito sólidos. Temos uma equipe muito boa, então tomara que seja o melhor e que a gente consiga vencer esse confronto.
– Como vê o fato de que na Espanha surgem grandes jogadores a todo momento? Alcaraz apareceu antes de Nadal se aposentar, agora chegam os Jódar, Landaluce…
– Eu acho que é pela cultura esportiva que existe em todos os grandes países europeus. A Espanha também tem uma história tão grande de tenistas que eu acho que é muito difícil não surgirem bons jogadores. Há muitos treinadores bons também na Espanha, muitas academias boas, então é muito difícil não surgirem. Muita gente vai treinar nesses países, na Espanha, nos Estados Unidos também, que são países que têm muita história no tênis, e eu acho que é mais por isso. Também dá para falar da Argentina, surgem muitos tenistas e muitos treinadores. Eu acho que é mais a cultura de ter tantos tenistas e o esporte em geral nesses países.
– Você jogou contra Alcaraz e contra Sinner, qual é a diferença?
– Eu estava conversando há pouco com a equipe sobre ter tido a chance de jogar com os dois. Sinto que o Alcaraz obviamente tem muito mais força, tem um tênis mais completo, voleia bem, tem bons drop shots, é rapidíssimo, tem uma força sobre-humana. E o Sinner eu sinto mais como um tipo robô: talvez não tenha a mesma velocidade do Alcaraz nem consiga bater tão forte, mas está sempre em um nível muito alto e não cai desse nível e dessa velocidade. Em qualquer lugar da quadra em que você esteja ele vai chegar na mesma bola e com uma consistência que não cai dali. Você tem que passar quase o jogo todo tentando igualar ou estar acima, e é muito difícil.
– O problema das apostas e dos xingamentos nas redes parece não ter fim. Você continua sofrendo com isso?
– Recebo muitos xingamentos, mas com tantos anos acho que já aprendi a nem ver e nem pensar nisso. Mensagens também chegam para a família, essa parte eu acho que é um pouco dura. Não sei se receber uma mensagem para a minha namorada também é mais preocupante, mas com certeza afeta um pouquinho mais. Mas para mim já é algo habitual, tomara que possam mudar alguma coisa.
– Tem solução?
– É algo que, por mais que a ATP faça coisas… também há muitos torneios que são patrocinados por casas de apostas. Vai continuar aí por um tempo e temos que ver como regular um pouco. É muito difícil tirarem isso, então é preciso ver como regular um pouco. Mas é quase impossível, já que a maioria dos grandes patrocínios de alguns torneios são de apostas, então é duro isso.





