Simples ou duplas? Um retorno para voltar a ser campeã ou simplesmente para se divertir? A tão comentada volta de Serena Williams, uma das maiores jogadoras da história do tênis, ainda não tem um rumo definido.
“Eu não preciso vencer. Já ganhei mais vezes do que a maioria das pessoas vai ganhar na vida inteira. Isso não é importante para mim, e é importante que eu continue me lembrando disso. Não tenho nada a provar”, afirmou a americana de 44 anos antes de retornar ao tênis profissional na chave de duplas de Queen’s.
E, poucos dias depois, após conquistar uma vitória na primeira rodada, reforçou essa mensagem: “Eu não tinha nada melhor para fazer. Cansei de ficar sentada em casa. Meus filhos estão de férias de verão, então por que não?”, disse na entrevista em quadra ao lado de sua parceira, a canadense Victoria Mboko.
A última frase traz uma dose de humor, mas também uma declaração poderosa. Será que Williams, uma competidora feroz e dona de 39 títulos de Grand Slam entre simples e duplas, está realmente voltando ao circuito — quatro anos após sua aposentadoria — apenas para quebrar a rotina e se divertir por alguns meses?
Ela própria admite essa possibilidade e chega a reconhecer que um retorno às simples está longe de ser uma certeza. “Sinto que preciso treinar um pouco mais se quiser jogar simples, e vamos ver se consigo chegar lá. Se não conseguir, então esse simplesmente não será o meu caminho neste momento”, afirmou.
Patrick Mouratoglou, técnico de Serena entre 2012 e 2022, compartilha dessa visão. “Acho que ela precisa sentir que pode vencer as melhores. Se acreditar nisso, voltará às simples. Caso contrário, não acho que volte”, disse o francês, com quem Serena conquistou dez títulos de Grand Slam e a medalha de ouro olímpica em Londres 2012, no podcast The Big T Podcast.
Do outro lado está Rick Macci, responsável por descobrir Serena e sua irmã Venus no início dos anos 1990 e que há meses vem promovendo a ideia de um retorno glorioso da campeã de 23 títulos de Grand Slam em simples. “As duplas são um aquecimento para jogar simples em Wimbledon. E, sim, veremos a GOAT aparecer no US Open”, afirmou o treinador de 71 anos.
Macci já vinha demonstrando total confiança nas redes sociais sobre o retorno de sua ex-aluna, que treinou até 1995. “Ela espera conquistar mais um Grand Slam. Nunca subestimem o coração da maior de todos os tempos… aqueles saques voltarão a voar a 190 quilômetros por hora”, publicou em fevereiro deste ano.
Essa é a grande incógnita em torno do retorno de Serena Williams. Será uma volta passageira, focada nas duplas, ou ela realmente tentará disputar títulos de simples novamente?
Se o objetivo acabar sendo este último, o caminho não será fácil. A americana já havia retornado ao circuito após uma pausa motivada pelo nascimento de sua primeira filha, em 2017, chegando a quatro finais de Grand Slam entre 2018 e 2019, mas perdeu todas. Depois da pausa provocada pela Covid-19, as lesões cobraram seu preço e, em 2022, ela finalmente anunciou sua aposentadoria.
Aos 44 anos, após quatro temporadas longe do circuito e outra gravidez, seu retorno só pode realmente ser comparado ao de Kim Clijsters, que voltou ao tênis profissional em 2020 depois de ter se aposentado em 2012. A belga não conseguiu vencer partidas, passou por uma cirurgia e acabou encerrando seu retorno em abril de 2022.
Por enquanto, Williams não tem vaga garantida em Wimbledon, embora a diretora-executiva do torneio, Sally Bolton, não tenha escondido seu desejo de ver a 11 vezes campeã novamente no All England Club.
“Acho que o que posso dizer é que todos podemos ver a empolgação gerada pelo retorno de Serena às quadras de tênis, especialmente às quadras de grama… O comitê responsável pelos convites tomará suas decisões no momento oportuno e as comunicaremos em breve”, afirmou.
A preparação para uma possível volta a Wimbledon começou em Queen’s, onde Williams venceu sua partida de estreia, mas precisou abandonar a competição antes da segunda rodada devido a uma lesão de sua parceira, Victoria Mboko. A americana deverá disputar o torneio de Berlim nos próximos dias ao lado da tcheca Karolína Muchová, naquela que pode ser a semana em que seu retorno aos Grand Slams seja oficialmente anunciado. Simples ou duplas? Por enquanto, nem ela mesma sabe.





