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O verão mais estranho e mais livre de Carlos Alcaraz: “Ainda treina em baixa intensidade”

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MADRI — Carlos Alcaraz viveu neste domingo um dos momentos mais felizes de sua vida em Nova York. Ele foi testemunha ocular da final da Copa do Mundo de futebol, levou a taça ao gramado do MetLife Stadium e depois comemorou em grande estilo o segundo título mundial conquistado pela Espanha.

A alegria de Alcaraz nos Estados Unidos é o último capítulo do verão mais estranho e livre para o tenista espanhol. E se tudo seguir o seu curso nas próximas semanas e os prazos médicos não saltarem pelos ares, Carlos Alcaraz voltará a comemorar nos Estados Unidos em poucas semanas. O espanhol segue avançando na recuperação do pulso direito e tem retorno previsto para o Masters 1000 de Cincinnati, logo antes do US Open. Até lá, terão se passado quatro meses. Praticamente 125 dias de escuridão desde o seu último ponto oficial.

 

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Neste terço de ano, aconteceram coisas demais desde aquela tarde de 14 de abril, na segunda rodada de Barcelona, quando seu pulso direito disse chega. O grande problema invisível é que, desde então, o espanhol não voltou a golpear uma bola com absoluta liberdade. Nem sequer na intimidade de um treinamento.

A longa ausência de Alcaraz — a mais extensa de sua carreira — gerou muitos rumores. Rick Macci, ex-treinador de cinco tenistas que chegaram ao número um do mundo (as irmãs Serena e Venus Williams, Maria Sharapova, Jennifer Capriati e Andy Roddick), afirmou esta semana no X que o pulso de Alcaraz “está 100%” e que o espanhol “jogou muitas partidas e sets de treino com outros tenistas profissionais”. A realidade, no entanto, ainda está longe desse cenário.

“Carlos está treinando, mas ainda em baixíssima intensidade”, dizem fontes do entorno do campeão de sete Grand Slams. Nem sets, nem partidas, nem nada parecido. A recuperação caminha pelo trilho correto, mas se algo Alcaraz deixou claro desde o primeiro minuto é que não mudaria os prazos para tentar arrancar algumas semanas do calendário. Ele não quer se precipitar nem comprometer o restante da temporada para voltar algumas semanas antes.

Após a confirmação da lesão, o ex-pupilo de Juan Carlos Ferrero passou várias semanas com uma tala imobilizadora no pulso direito. No início de junho, enquanto Roland Garros era disputado, o espanhol retornou às quadras, mas apenas para fazer exercícios com a mão esquerda. Pouco depois, sua comissão técnica desenhou uma cena das mais curiosas: ele foi visto golpeando o ar com uma raquete quebrada, sem cordas, um truque para recuperar a mecânica do golpe anulando por completo o impacto da bola na delicada articulação. Essa fase já foi superada.

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Período mais livre

Enquanto a recuperação avançava lentamente, fora da quadra aconteceu justamente o oposto. Sem a pressão do calendário, Alcaraz desfrutou provavelmente do período mais livre desde que estourou na elite. Ele passou esses meses com a mente muito limpa, liberado das urgências e do sufoco do circuito, algo que seu entorno lê como um fator extremamente positivo para a sua maturidade. O reflexo desse oásis foi o seu descanso navegando em um iate pelo Mediterrâneo, cujas fotos acompanhado por uma mulher misteriosa espalharam-se como pólvora pelas redes sociais.

E neste domingo viveu um dia que jamais esquecerá. Assim como Rafael Nadal na África do Sul em 2010, Alcaraz não quis perder a final da Copa entre Espanha e Argentina e vibrou ao lado de um grupo de amigos nas arquibancadas do MetLife.

 

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Com a cabeça limpa, Alcaraz voltará às quadras esta semana para dar continuidade à sua recuperação. Já está batendo na bola, mas ainda de forma suave e sem grandes esforços. Todo cuidado é pouco, dados os antecedentes de tenistas como Dominic Thiem e Juan Martín del Potro com o pulso.

O objetivo traçado é ir subindo a intensidade pouco a pouco para poder retornar em Cincinnati em meados de agosto. O último Masters 1000 antes do US Open será disputado de 13 a 23 de agosto. Antes há o do Canadá, mas esse o espanhol certamente perderá. Cincinnati, por enquanto, é a meta. Inclusive, o torneio já está se promovendo com a imagem de Alcaraz. Isso também não significa que ele jogará a 100%, mas sim que sua intenção é viajar para Ohio e competir.

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A missão não é simples. Durante a sua baixa, Alcaraz perdeu dois Grand Slams e dois Masters 1000, entre outros torneios — aos quais se somará o Masters 1000 do Canadá — e Jannik Sinner voltou a se tornar o grande dominador do circuito. Campeão em Madri, Roma e Wimbledon, Sinner só deixou pelo caminho Roland Garros e acumula 37 vitórias e uma única derrota desde Indian Wells. O italiano assusta.

A contagem regressiva já começou. Após quatro meses de afastamento e com uma recuperação levada na ponta do lápis, Cincinnati aparece como a primeira parada de um retorno que não apenas testará o seu pulso, mas também a sua capacidade de voltar a desafiar um Sinner que aproveitou a sua ausência para tomar conta do cenário.

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