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Loucura para os jogadores, loucura para os fãs: o verão “hot” do tênis em 2028

Carlos Alcaraz en París 2024
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Loucura será a palavra que definirá, para o bem ou para o mal, o verão do tênis em 2028. Jogadores e torcedores enfrentarão um calendário frenético e sem precedentes. Do meio de maio ao final de agosto, praticamente não haverá uma única semana sem torneios relevantes.

O fator que muda as regras do jogo serão os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, que serão realizados de 14 a 30 de julho. As datas provocam um sobreposição inédita: a cerimônia de abertura na Califórnia e as primeiras rodadas do evento olímpico coincidirão com a reta final de Wimbledon, cuja final masculina será disputada no domingo, 16 de julho.

O encaixe é tão apertado que roça o absurdo logístico. O torneio de tênis olímpico começará apenas 72 horas depois que o campeão erguer a taça na quadra central do All England Club. É o menor intervalo entre um Grand Slam e o sonho dos anéis em toda a história do tênis. Embora valha esclarecer um ponto: o evento olímpico de tênis começa com as duplas mistas, e as chaves de simples não entrarão em cena até alguns dias depois.

“As datas dos Jogos Olímpicos são estabelecidas pela cidade-sede (LA28) em conjunto com o COI (Comitê Olímpico Internacional). Uma vez notificada das datas, a World Tennis optou pelo calendário que considerou oferecer aos jogadores a melhor oportunidade para realizar a transição, dando-lhes o maior tempo possível entre o final de Wimbledon e o início do evento do Tênis Olímpico”, respondeu à CLAY um porta-voz da World Tennis, a federação internacional.

Será a primeira vez que um Grand Slam e o tênis olímpico estarão separados por apenas três dias. Os casos mais semelhantes são os sete dias de margem do US Open com Pequim 2008 e Atenas 2004. A grande diferença foi que, nessas ocasiões, os Jogos foram disputados primeiro, e o torneio norte-americano veio depois.

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No caso de Los Angeles, somam-se dois fatores críticos: a superfície e a distância. Os tenistas passarão da grama de Wimbledon para as quadras duras de Carson Courts, a sede escolhida para o evento olímpico, e terão que lutar contra o relógio e o jet lag. Quase 9.000 quilômetros e 11 horas de voo separam Londres de Los Angeles. O desafio será gigantesco, mas o prêmio também: e se alguém conseguir vencer Wimbledon e conquistar o ouro olímpico em apenas 15 dias?

 

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A agenda ininterrupta de 2028 fará com que haja tênis sem parar de 3 a 28 de julho, algo que pode se prolongar ainda mais quando forem confirmadas as datas dos Masters 1000 do Canadá, de Cincinnati e do US Open para aquele ano.

Neste ano de 2026, a gira norte-americana de grandes torneios começará em 1º de agosto em Montreal e Toronto. Caso a estrutura seja mantida nas próximas duas temporadas, as 72 horas de descanso entre Wimbledon e Los Angeles se repetirão entre Los Angeles e o Canadá.

Além disso, o calendário tem sido claro nos últimos anos: no dia seguinte ao término do torneio no Canadá, o tênis já começa em Ohio, e apenas um par de dias após a final de Cincinnati, têm início os qualis do US Open.

Essa é a nova realidade do tênis para fãs e jogadores, que enxergam a mesma situação por perspectivas completamente opostas. Enquanto os torcedores se ilusionam com uma maratona ininterrupta de jogos no verão do hemisfério norte, os tenistas veem como suas reclamações continuam sem ser levadas a sério pela ATP e pelos Grand Slams.

“Até agora, a tendência tem sido adicionar mais tênis em vez de encurtar o calendário. É preciso encarar a realidade: a temporada é realmente longa e os torneios são muito extensos. O calendário está um pouco bagunçado e será difícil para a geração mais jovem aceitar que terá de sacrificar torneios e algum dinheiro em prol da saúde e de uma carreira a longo prazo”, confessou Stanislas Wawrinka no Aberto da Austrália ao ser questionado pela CLAY sobre a expansão do tênis.

 

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Um dos torneios mais prejudicados por essas mudanças tem sido o próprio Masters 1000 do Canadá. A proximidade com o fim da temporada de grama e a realização de Cincinnati na semana seguinte fizeram com que Jannik Sinner e Carlos Alcaraz não participassem do torneio desde 2024 e 2023, respectivamente. Novak Djokovic, por sua vez, não o joga desde 2018.

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“O calendário precisa ser reestruturado porque hoje está uma loucura. Nem as pessoas que assistem pela televisão sabem qual torneio estão vendo ou quantos pontos ele distribui”, contou o ex-tenista Diego Schwartzman em entrevista à CLAY.

Essa loucura parece não ter fim, e 2028 será o grande exemplo disso. Além do verão maratônico, nesse ano começará a ser disputado o novo Masters 1000 da Arábia Saudita. Ele será realizado provavelmente em fevereiro, o que complicará o desenvolvimento da gira sul-americana e comprimirá ainda mais o calendário para os jogadores que buscavam descansar após a Austrália e antes do Sunshine Double.

Mais viagens, mais eventos, mais dinheiro e mais exposição. Os fãs comemoram, mas os tenistas e alguns torneios tradicionais já sentem o impacto.

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