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Flavio Cobolli é exatamente a estrela de que o tênis precisava

Flavio Cobolli ingresa al court central de Roland Garros para disputar la final de 2026 / SEBASTIÁN FEST FOR CLAY MAGAZINE
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PARIS — Nesta segunda-feira, ele será o décimo melhor tenista do mundo, mas a maior contribuição que Flavio Cobolliestá dando ao seu esporte não passa pelo ranking nem pelos resultados, mas por sua alegria e seu carisma.

Em um esporte, o tênis, onde com demasiada frequência se ouve falar de “sacrifícios” e insatisfações por parte de jovens que são bem-sucedidos e milionários, Cobolli representa um retorno ao bom senso, uma normalidade muitas vezes ausente.

Basta ouvi-lo para entender o porquê. Após perder a final de Roland Garros, o italiano deu uma verdadeira lição de bom gosto e qualidade humana.

“Quero parabenizar o Sascha por este título. Acho que ele merece. Também acho que hoje ele merecia mais do que eu no final da partida. Mas também quero me agradecer pelo que fiz nessas últimas duas semanas. Nunca na minha vida teria imaginado um resultado assim, e estou muito orgulhoso de mim mesmo. Então, agora só quero sorrir de orelha a orelha e aproveitar a noite com os amigos, com as pessoas que amo”.

Um “sorriso de orelha a orelha” depois de perder uma final. Isso não é algo que se ouve com frequência no tênis, onde muitas vezes se perde o senso de realidade. Cobolli é exatamente o tipo de estrela de que o tênis masculino precisava.

“É uma final de Grand Slam, acho que ninguém nesta sala esperava muito de mim”, disse ele aos jornalistas. “Então, tenho que me orgulhar de mim mesmo e tentar de novo e de novo.”

Cobolli, de 24 anos, domina com maestria um discurso que combina doses de simplicidade com toques de humor, além de uma sutil ironia autoflagelatória. O resultado é que, em tempo recorde, ele se tornou um dos jogadores favoritos do circuito: qualquer um gostaria de ter um filho, um irmão, um amigo ou um namorado como ele.

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É o triunfo da simplicidade. O tênis masculino, com uma tensão crescente nos últimos tempos, é dominado pelo italiano Jannik Sinner, de perfil muito discreto e que já confessou que não gosta de falar com a imprensa após cada partida, e pelo espanhol Carlos Alcaraz, um furacão que há algum tempo parece ter sido acalmado para que suas declarações tenham o mínimo possível de asperezas. Falar com um roteiro claro para evitar problemas.

Com Cobolli é diferente, ele fala sem roteiro, o que ele diz soa autêntico. O italiano de 24 anos é treinado desde os 17 por seu pai, Stefano, que em 2003 chegou a ser o número 236 do ranking. Durante sua infância e adolescência, pai e filho combinaram que não falariam de tênis, mas sim de futebol, a outra grande paixão do finalista de Roland Garros. Até que Stefano, hoje com 49 anos, considerou que Flavio estava pronto e assumiu a direção de sua transição para o profissionalismo.

Francesca é a mãe de Cobolli, e o jogador dedicou a ela neste domingo algumas reflexões cheias de emoção.

“Eu praticamente só via meu pai na hora do jantar, então passava o dia todo com minha mãe; ela me repreendia por tudo, estava presente em todos os treinos, então até os 16 ou 17 anos eu não tinha carro; além disso, em Roma, você já pode imaginar como os carros e as motos são perigosos, então meus pais nunca confiaram em mim e sempre preferiram me acompanhar”.

O que o filho faz no tênis é uma questão de prioridade absoluta para Francesca, explicou Flavio há algum tempo.

“Ela não lida muito bem com as partidas, além disso é muito supersticiosa. Ela finge ser durona, chegou até a se trancar no banheiro por cinco horas porque tinha ganhado uma partida. É muito supersticiosa e não se deve mexer nos rituais dela”.

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Francesca esteve hoje em Paris, no estádio Philippe Chatrier.

“Temos que agradecer a ela, acho que ela merece estar aqui hoje; ela nunca vem, quase nunca, justamente porque somos assim na família. Minha mãe tem um papel importante na minha vida, mas acho que agora ela encontrou seu equilíbrio ficando em casa, com meu irmão, trabalhando. Então, ela só vem quando sente a necessidade de estar lá, de me trazer um pouco de energia positiva”.

Em Cobolli não há arrogância nem vaidade, mas sim um espanto genuíno pelo que conquistou nessas duas semanas.

Na final que perdeu neste domingo em cinco sets para o alemão Alexander Zverev, Cobolli foi autor de pontos sublimes e de erros grosseiros. Nada resume melhor isso do que os dois últimos pontos do tie-break do quarto set, que o italiano venceria por 7-5.

No primeiro ponto, com Zverev derrotado e encurralado no fundo da quadra, Cobolli tinha uma voleio muito fácil de resolver e a bola saiu vários metros fora. Mas no ponto seguinte ele se redimiu com uma direita paralela cheia de potência e precisão. O sublime e o terrível. Flavio Cobolli, é pegar ou largar.

O que aconteceu nesses dois pontos? A pergunta pode se estender a toda a partida.

“Fechei os olhos”, respondeu o italiano.

“Nos dois pontos ou só no primeiro?”, quis saber o jornalista.

“Talvez nos dois”, disse Cobolli com um sorriso. “A verdade é que me sentia cansado no tie-break, mas também disse a mim mesmo para sair em busca dos pontos, que talvez ganhasse o set e já pudesse ver o que acontecia no quinto. Mas sim, acho que fechei os olhos. Isso às vezes ajuda.”

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