NOVA YORK — Com sua vitória épica sobre Carlos Alcaraz, Ben Shelton deu o salto que precisava e agora carrega o rótulo de favorito no US Open 2026. A pressão é toda dele.
A partida que o norte-americano venceu no Arthur Ashe às 3h33 da manhã vale mais do que uma vaga nas semifinais — é o tipo de vitória que Shelton nunca havia conseguido antes e que, aos 22 anos, ele precisava alcançar se quiser continuar sendo um dos candidatos a ser o terceiro homem na era Alcaraz-Sinner.
Uma vitória que pode ser um ponto de virada numa carreira: contra o grande favorito do torneio, no super tie-break do set decisivo, mostrando um nível nunca visto antes nele, com a torcida elétrica no maior estádio de tênis do mundo.
“A partida mais prazerosa que já tive na minha carreira”, disse Shelton após quase quatro horas e meia de jogo, que terminou 6-7 (5-7), 6-1, 6-3, 1-6 e 7-6 (10-7) a seu favor.
Shelton está se mostrando um jogador completamente diferente — melhor fisicamente e mais confiante. É mais consistente no fundo da quadra, fecha pontos na rede com mais frequência e maior precisão. Seu backhand melhorou e não é mais tão fácil para os adversários ganhar pontos atacando aquele lado, e ele está mostrando mais variedade no saque.
Outra estatística reveladora da vitória do norte-americano: Alcaraz havia vencido 12 partidas consecutivas quando chegavam ao quinto set. A reta final é onde o espanhol sempre produz seu melhor tênis e prova que poucos jogadores rendem como ele após tanto desgaste físico.
Shelton conseguiu o que parecia impossível. Também registrou sua primeira vitória contra um jogador do top 3 após 17 derrotas.
“Para meu pai e para mim, foi simplesmente prazeroso fazer parte dessa partida. Obviamente o nível do tênis, a duração da partida, a luta que foi, o quão equilibrada foi de ponta a ponta, acho que isso é algo que podemos apreciar. Ganhando ou perdendo, teríamos um sorriso no rosto”, disse Shelton, que será o novo número 4 do mundo na segunda-feira.

Esse trabalho com Bryan Shelton, seu pai e técnico, está dando frutos numa relação muito positiva que não acrescenta pressão extra.
A pressão vem de outro lugar: tendo eliminado Alcaraz, com Sinner ausente na outra metade do chaveamento e um Zverev que, apesar de ganhar ritmo, não está mostrando seu melhor, este é o US Open dele para vencer.





