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Zverev conquista Roland Garros e finalmente alcança seu objetivo, mas a questão é se ele será um campeão querido

Zverev, moved by what he has just achieved: his first Grand Slam title / SEBASTIAN FEST FOR CLAY MAGAZINE
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PARIS — Sonho realizado: Alexander Zverev conquistou neste domingo o título de Roland Garros e ergueu, assim, seu primeiro troféu de Grand Slam, um objetivo que perseguiu por anos e que chegou a pensar que nunca alcançaria. Mas, já campeão, surge uma nova interrogação para o alemão: será que ele conseguirá ser um campeão querido?

Em uma tarde primaveril agradável e ensolarada em Paris, o número três do mundo venceu o italiano Flavio Cobolli, 14º no ranking, por 6-1, 4-6, 6-4, 6-7 (5-7) e 6-1.

“Vivi os melhores momentos da minha vida nesta quadra e também os piores”, disse Zverev após a final, apontando para o local onde uma queda o tirou da partida contra o espanhol Rafael Nadal em 2022. “Acho que os espectadores me impulsionaram ao longo dessas duas semanas, muito obrigado”, acrescentou, antes de dedicar algumas palavras emocionantes à sua equipe técnica, família e amigos.

“Passamos por todos os tipos de momentos, mas no final somos campeões de Grand Slam!”, disse o alemão de 29 anos, que havia perdido as três finais de Grand Slam que disputou até a que lhe deu a vitória em Paris.

Foi uma final de mais de quatro horas em que Cobolli cometeu erros demais, claramente pressionado na partida mais importante de sua vida. O italiano tem boas jogadas, energia e personalidade, mas ainda precisa aprimorar seu tênis para saber se voltará a ter oportunidades como esta ou se se tornará o sucessor de Mikael Pernfors, o sueco que, há 20 anos, disputou de surpresa a final de Roland Garros e nunca mais conseguiu um impacto semelhante.

Mesmo assim, Cobolli teve oportunidades de vencer, pois mostrou um tênis brilhante em momentos que o colocaram em posições importantes: sacar com vantagem de 5-4 no quarto set, por exemplo. Mas, assim como alcançava essas vantagens, também as desperdiçava. Ou então, porque isso também aconteceu, Zverev elevava seu nível justamente nesses momentos.

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“Se alguém me perguntasse quem merecia este título, eu sempre diria que era você. Estou feliz por você, mas também triste, porque cheguei perto e senti isso. Deixe-me vencer da próxima vez”, disse Cobolli a Zverev após a final, em um discurso emocionado. “Isso é apenas o começo, sou jovem”, consolou-se.

Observado da arquibancada por Adriano Panatta, o último campeão italiano de Roland Garros, em 1976, Cobolli demonstrou ser capaz do melhor e do pior em questão de segundos, mas ao mesmo tempo inegavelmente divertido e carismático.

Panatta entregou o troféu de campeão a Zverev, que hoje é um jogador muito superior a Cobolli: mais completo, com mais recursos, mais paciente, mais inteligente.

Mas o italiano tem algo que é persistentemente negado ao alemão: a simpatia e o carinho do público. Zverev não é querido, o que ficou evidente também neste domingo no estádio Philippe-Chatrier, e a questão é se isso mudará depois de ter conquistado o inegável status de grande campeão.

Na véspera da final, uma enxurrada de publicações nas redes sociais relembrou as duas acusações de violência doméstica que o alemão recebeu de duas ex-parceiras. Um desses casos foi encerrado com um acordo pelo qual o tenista pagou uma multa de 200 mil euros, sem que sua culpa ou inocência fosse estabelecida.

Zverev também não ganha simpatia com suas declarações, que combinam arrogância com desconcerto. Uma das últimas, após avançar para a final, rendeu-lhe a rejeição de mais de um tenista: ele disse que os atletas de alto rendimento não têm nada na cabeça.

O que o alemão tenta, no fundo, é usar a ironia para ser engraçado, mas quase invariavelmente se confirma que ele é muito melhor tenista do que brincalhão.

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Além disso, o título de Zverev tira a poeira de estatísticas já antigas: é preciso voltar 30 anos no tempo, até o Aberto da Austrália de 1996, para encontrar um alemão conquistando um título de Grand Slam, naquele caso Boris Becker.

E é preciso voltar 89 anos, até 1937, para encontrar um alemão levantando o troféu de Roland Garros, Henner Henkel.

Com seu sucesso no Bois de Boulogne, Zverev também interrompeu uma série de nove torneios consecutivos de Grand Slam conquistados pelo duopólio formado pelo italiano Jannik Sinner e pelo espanhol Carlos Alcaraz. O último campeão de Grand Slam fora do “Sincaraz” foi o sérvio Novak Djokovic, no US Open de 2023.

 

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