Carlos Alcaraz regressa. Carlos Alcaraz vence. Carlos Alcaraz sorri. O espanhol voltou esta segunda-feira da paragem por lesão mais longa da sua carreira com uma vitória no US Open. Passaram 139 dias desde o seu último jogo, mas tudo continua igual.
“É ótimo estar de volta outra vez. Nova Iorque é um lugar especial para mim e adoro competir neste ambiente e com este público”, disse Alcaraz em Nova Iorque após vencer o russo Roman Safiullin por 6-4, 6-4 e 6-4 na primeira ronda do último Grand Slam da temporada.
“Senti-me bem fisicamente e alegra-me ter conseguido vencer em três sets. Estou contente com o jogo, com a forma como o geri mentalmente e por voltar a vencer. Dizem que jogar ténis é como andar de bicicleta. Acho que posso elevar o meu nível, mas estou satisfeito com o que ofereci hoje neste encontro”, acrescentou o campeão de sete títulos de Grand Slam.
Longe da sua melhor versão, o número três do ranking mundial fez simplesmente o que tinha de fazer: vencer, voltar a sentir a bola, recuperar automatismos, conectar com o público. Voltar a ser Carlos Alcaraz.
Talvez isso fosse o mais importante do seu regresso. Nem o resultado, nem sequer o nível de ténis. Após mais de quatro meses sem competir, Alcaraz precisava de entrar num campo cheio, sentir a tensão de um jogo oficial, encontrar o ritmo, sofrer um pouco, sorrir outro pouco e ir para casa sabendo que o pulso direito tinha respondido. Que a lesão que o fez falhar a fase mais importante da época, privado de Roland Garros e Wimbledon, já faz parte do passado.
Tudo o resto virá a seguir. Porque o regresso de Alcaraz não pode ser entendido unicamente a partir da sua lesão. É preciso observá-lo também tendo em conta tudo o que aconteceu enquanto esteve de fora. Em 139 dias, o cenário do ténis mudou várias vezes. Jannik Sinner, o seu grande rival geracional e campeão de Wimbledon, não está em Nova Iorque devido a lesão. Novak Djokovic continua a enviar sinais de esgotamento — o último deles este domingo no US Open. E Alexander Zverev, que desencantou o fantasma em Roland Garros, parece uma sombra de si mesmo nesta digressão americana.
Se o regresso de Alcaraz no US Open parecia algo arriscado, já ninguém o pode retirar da lista de grandes favoritos. Abre-se-lhe a possibilidade de recuperar de uma assentada parte desse tempo perdido.
Vencer Safiullin ainda não responde a todas as perguntas, mas elimina uma das mais cruciais: ele pode voltar a competir. Agora terá de descobrir quanto tempo lhe resta para voltar a competir como Alcaraz.
A partir de agora começa o mais difícil. O corpo terá de responder a jogos cada vez mais exigentes. O pulso terá de suportar horas de competição e dias consecutivos. E Alcaraz terá de testar até onde pode chegar num torneio que não perdoa a falta de ritmo. O primeiro passo está dado: 139 dias depois, tudo continua igual.





