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“Eu chamo o Carlitos de um ‘ser de luz’; em qualquer disciplina teria sido um fenômeno” — entrevista com Roberto Bautista

Roberto Bautista Agut Alcaraz
Roberto Bautista Agut en Cap Cana / SEBASTIÁN VARELA
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Más do que seus golpes impressionantes e seus recordes aos 22 anos, o que mais chama a atenção de Roberto Bautista Agut em Carlos Alcaraz é sua personalidade.

“Eu chamo o Carlitos de um ‘ser de luz’. Ele tem uma energia incrível e, em qualquer área ou disciplina que tivesse escolhido, teria sido um fenômeno. É uma sorte tê-lo no tênis, é uma sorte que seja espanhol. É um cara fantástico, que transmite coisas positivas para quem está ao seu redor”, disse Bautista em entrevista à CLAY.

Na conversa, que aconteceu durante a Copa Cap Cana, na República Dominicana, Bautista, de 38 anos, confessou admirar a maturidade que Alcaraz mostrou em quadra nos meses seguintes à sua mediática separação de Juan Carlos Ferrero: “Com certeza ele está lidando com isso por dentro, mas um tenista sabe muito bem enfrentar as adversidades do dia a dia. Ele está demonstrando, com muita maturidade, que pode continuar ganhando muitos torneios”.

O espanhol anunciou que, no fim de 2026, deixará o tênis profissional. A dois anos de completar 40, poderá passar mais tempo com a família e com seus cavalos, sua outra paixão.

O campeão da Copa Davis de 2019 disse à CLAY que vê como difícil que o número 2 do mundo jogue pela Espanha na série contra o Chile, em setembro. Se o capitão David Ferrer o convocar para integrar a equipe uma última vez, talvez antes de sua aposentadoria, ele certamente dirá que sim.

Entrevista com Roberto Bautista Agut

Um tenista recentemente me disse que, quando viaja com os filhos para os torneios, suas horas de sono diminuem muito. Você viaja para alguns eventos com sua família. Como lida com isso? É um sacrifício viajar com filhos ou é tudo positivo?

– Na verdade, as crianças dão trabalho, precisam de muita atenção e, bom, por sorte minha mulher está ali firme e forte, e eu posso estar um pouco mais focado no torneio. Há torneios como o da República Dominicana em que, felizmente, a organização me dá um quarto separado para poder descansar bem.

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Como você compara o processo de recuperação física de um tenista aos 23 anos com o que você vive hoje, aos 38?

– Bom, a verdade é que o corpo se recupera muito melhor aos 23 anos. Mas acho que, como tudo na vida, a experiência também conta: você passa a se conhecer muito melhor, sabe quais recuperações funcionam melhor para você, como se cuidar, como se sentir melhor. E acho que isso também ajuda para, aos 38 anos, conseguir render no mais alto nível.

Uma opinião sua sobre o estilo de vida de Alcaraz gerou certa controvérsia no ano passado. “Não acho que Carlos vá ganhar Grand Slams indo dormir às 7 da manhã”, disse você em Madri, em referência ao gosto de Alcaraz por sair de vez em quando. Vocês chegaram a conversar pessoalmente sobre isso?

– Minhas declarações foram um pouco distorcidas. Eu disse que o considerava um jogador muito inteligente e que era claro que ele iria amadurecer, que saberia o que precisava fazer para ganhar Grand Slams. E é isso que ele está fazendo. Acho que o número um não é dado de presente: exige trabalho, dedicação, esforço e disciplina. E acredito que Carlos, com 22 anos, já sabe muito bem o que precisa fazer. Também é um jogador que precisa de seus momentos de desconexão, como todos — uns de uma forma, outros de outra.

 

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Como é a sua relação com ele?

– Eu chamo o Carlitos de um “ser de luz”. Ele tem uma energia incrível e, em qualquer área ou disciplina que tivesse escolhido, teria sido um fenômeno. É uma sorte tê-lo no mundo do tênis, é uma sorte que seja espanhol. É um cara fantástico, que transmite coisas positivas para quem está ao seu redor. E isso é uma sorte para o nosso esporte.

O que você acha do que ele conseguiu na Austrália? Ser o mais jovem da história a vencer pelo menos uma vez cada um dos quatro Grand Slams.

– Foi incrível. E depois ele viveu uma de suas melhores fases como tenista. Com 22 anos, está tendo números impressionantes. É um jogador que vai estar no topo por muitos anos. Fui companheiro dele na Copa Davis, sou compatriota como tenista espanhol, e adoro vê-lo jogar, adoro estar perto dele porque, como já disse, é um grande cara.

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A sua separação com Juan Carlos Ferrero teve grande impacto mediático. Depois ele foi a Melbourne e saiu com o título. Em seguida venceu em Doha, ganhou muitos jogos. O que você acha do seu controle emocional?

– Acho que, para ter as vitórias e as sequências que ele teve nesta temporada, é preciso muito equilíbrio em quadra e muita maturidade. Com certeza ele está lidando com isso por dentro, mas um tenista sabe muito bem enfrentar as adversidades do dia a dia, porque elas sempre existem. E acredito que ele está demonstrando, com muita maturidade, que pode continuar ganhando muitos torneios.

Se David Ferrer o chamar para jogar a Copa Davis em setembro, você viajará ao Chile?

– Provavelmente.

Alcaraz Bautista
Alcaraz e Bautista durante uma Copa Davis

E você vê como possível que Alcaraz jogue essa série, considerando as dificuldades do calendário? Ele disse na Austrália que seu grande objetivo era vencer o torneio pela Espanha, embora essa série venha depois do US Open e antes da Laver Cup.

– Vejo difícil que o Carlos possa estar, para ser sincero. Será uma série complicada contra uma equipe muito forte como o Chile, com Jarry, Garín, Tabilo, Barrios… é um grande time. A Espanha terá que estar muito bem preparada se quiser competir.

O que a Copa Davis significa para você? Você foi peça-chave na última conquista espanhola, ao vencer sua partida na série final contra o Canadá em 2019.

– Para mim, a Davis é uma competição muito especial. É algo com que sonhei desde pequeno. Minha decisão de jogar tênis veio ao assistir à Copa Davis pela televisão quando tinha cinco ou seis anos. Sempre gosto muito de disputá-la. Sempre que estive disponível, participei. É uma competição que te faz passar por momentos muito difíceis, mas que depois servem muito, tanto no plano individual quanto profissional.

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