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Thiago Tirante, o vencedor de Djokovic e otimista do tênis: “Tem gente que não tem o que comer”

Thiago Tirante, the 25-year-old Argentine who beat Novak Djokovic / @THIAGOTIRANTE
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Quem é Thiago Tirante, o homem que causou uma das grandes surpresas na reta final para o US Open ao eliminar Novak Djokovic em Cincinnati? Tirante, argentino, é um otimista do tênis, alguém que, com uma simples frase, questiona o clima de reclamações, tensões e insatisfações que cresce entre os jogadores.

“Tem gente que não tem o que comer; em algum momento, como tenista, você precisa ser feliz pelo que está fazendo”, resume o argentino.

Tirante sentou-se para conversar com CLAY durante o Roland Garros, uma conversa interessante que revela que o argentino de 25 anos é um caso à parte no cenário esportivo, um otimista do tênis.

– A Argentina tem dez jogadores entre os cem melhores do mundo. Como isso se explica, a partir da paixão que vocês dedicam ao tênis?

– Sim, sim, cem por cento. Isso sempre teremos e nunca vamos perder, porque a cultura argentina é assim. Damos tudo de nós e mais ainda em cada coisa que fazemos. Somos muito emotivos; os europeus e os americanos não são tanto assim. E isso é algo que sempre vai jogar a nosso favor se soubermos administrar, porque muitas vezes também joga contra a gente. Mas é algo que sempre teremos conosco: querer mais, querer melhorar, querer chegar lá, custe o que custar. E isso nos torna únicos e muito fortes.

– Vou ampliar a pergunta para o tênis sul-americano: nos últimos tempos, além da presença habitual de argentinos, chilenos e brasileiros, surgiram jogadores do Peru, Paraguai, Colômbia e Bolívia. Por que o tênis sul-americano está crescendo tanto?

– Acho que estamos começando a nos animar um pouco mais. Sempre tivemos bons resultados, somos grandes tenistas, a América do Sul tem grandes tenistas. Mas acho que estamos perdendo o medo das superfícies. Hoje há mais tenistas sul-americanos que jogam melhor em superfícies rápidas. E no saibro estamos cada vez mais fortes. Estamos nos inspirando e motivando uns aos outros. Se um vai bem, o outro também se motiva e diz a si mesmo: “Ah, se ele conseguiu, eu também consigo!”. Estamos nos animando a jogar um tênis cada vez melhor.

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– Mesmo assim, parece que muitos tenistas não aproveitam o fato de serem tenistas, de terem realizado o sonho de ganhar a vida jogando tênis. Você se permite aproveitar, mesmo enquanto está jogando?

– Sim, sim, claro! É preciso levar em conta que tenho dois psicólogos: um que cuida mais da parte pessoal e outro que se dedica mais à parte do tênis. Fazemos muitas reflexões, conversamos bastante. Aproveitar é a chave para jogar por mais anos, para jogar mais sem que isso seja um fardo tão grande. Embora esteja claro que cada jogador é diferente. Afinal, estamos viajando o ano todo, treinando o ano todo, jogando o ano todo, longe da nossa família, e se você não encarar isso do ponto de vista da alegria, se o que você faz não te preenche, vai ser difícil seguir a trajetória do tênis por muito tempo. O tênis é fazer o que você gosta, porque por algum motivo você escolheu isso. E pode ser que a gente escolha isso por outro motivo, e não pelo que as pessoas às vezes imaginam.

– Qual é esse outro motivo?

– Estar saudável é super gratificante. Tem muita gente doente e, muitas vezes, quando a gente está na quadra, nos treinos, e as coisas não estão saindo como quer, a gente faz cara feia e fica de mau humor. Sim, talvez você tenha treinado mal, mas talvez não esteja enxergando o outro ponto de vista: dizer a si mesmo “ei, estou em Paris, estou disputando os melhores torneios do mundo, nas melhores superfícies, nos dão bolas, toalhas, água, tudo, e há pessoas que, de verdade, talvez nem tenham o que comer”. Se você encarar por esse lado, em algum momento, como tenista, você deve se sentir feliz pelo que está fazendo. Pelo que está vivendo e pelo que lhe cabe hoje, graças a Deus. Talvez seja preciso se afastar um pouco da visão do tenista, de querer, querer e querer, e encarar mais pelo lado de que, com o que se tem, já se é feliz. Se divertir, aproveitar e estar presente no momento é super gratificante.

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– Nesse contexto, você entende o debate sobre a distribuição de prêmios no tênis? Você vê isso de forma positiva?

– Eu vejo isso de forma positiva, vejo de forma positiva. Afinal, estamos ganhando uma porcentagem muito pequena em relação ao que os Grand Slams levam. Sou a favor de que os jogadores de ponta, os melhores, comecem a se manifestar e deixar claro que estamos insatisfeitos. Acho que o que eles estão fazendo está certo.

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