LONDRES — A nova crise que enfrenta as duplas ressuscitou seu maior hater: Reilly Opelka.
O tenista de 28 anos, ex-número 17 do mundo no simples e atualmente no 115º lugar, abriu uma nova briga com os jogadores de duplas pela rede.
“O problema não são as duplas, são os jogadores de duplas, com exceção de Marcel Granollers, Horacio Zeballos e Edouard Roger-Vasselin”, escreveu o norte-americano nas redes sociais.
“Não é nenhum mistério… ninguém assiste porque falta talento”, acrescentou o tetracampeão ATP.
A ATP planeja uma reestruturação ampla do circuito de duplas: cortar a premiação e reduzir à metade os chaveamentos nos torneios. Os planos, que poderiam ser implementados em 2028, foram comunicados informalmente aos jogadores de duplas em Wimbledon. Em Londres, cerca de 50 especialistas se reuniram e emitiram um comunicado para se defender das possíveis mudanças.
“As duplas não são um espetáculo secundário. É uma das partes mais bem-sucedidas do tênis — parte integrante do jogo amador — com potencial para fazer muito mais”, dizia o comunicado.
Os defensores das duplas lançaram uma campanha nas redes sociais com a hashtag #savedoubles.
O britânico Henry Patten, número 1 do mundo nas duplas, respondeu ao norte-americano com uma imagem da quadra central de Indian Wells quase vazia durante uma das partidas de Opelka. Escreveu, ironicamente: #saveopelka.
Alguns jogadores de duplas expressaram sua frustração em conversa com a CLAY.
“O tênis está vivendo seu melhor momento, financeiramente espetacular. Me surpreende que haja uma proposta para colocar em risco as carreiras de tantos colegas agora, em tempos de tanta prosperidade. Vários poderiam perder seus empregos”, disse o salvadorenho Marcelo Arévalo, membro do Conselho de Jogadores da ATP e um dos primeiros a receber a notícia indesejada.
“Não faz sentido. Espero que se possa abrir um diálogo com os torneios também para encontrar soluções reais”, disse o mexicano Miguel Reyes-Varela.
Opelka se tornou o inimigo número um do circuito de duplas quando, em 2025, compartilhou uma opinião contundente no Instagram.
“Deveriam 100% acabar com as duplas. É para singlistas fracassados. Não existe tal coisa como um ‘especialista em duplas’. Eles não vendem um único ingresso, ocupam quadras de treino, fisioterapeutas, recursos, não dão lucro, e reclamam que não ganham dinheiro suficiente. Isso é um comportamento bastante ganancioso, na minha opinião.”
Outro singlista a falar depreciativamente sobre as duplas é Alexandre Bublik.
Em uma entrevista ao Bounces, também publicada na CLAY, o cazaque falou diretamente contra as duplas e os jogadores de duplas, em seu tom irônico característico.
“Às vezes as duplas te entediam, porque de certa forma não é tênis de verdade. É para quem não consegue jogar simples: jogam duplas e depois passam para o padel ou o pickleball”, disse.
Bublik disputou a final de duplas de Roland Garros 2021: “Sou finalista de Grand Slam e daí? Nem sei onde está esse troféu. É inútil.”
Arévalo, ex-número 1 do mundo nas duplas, confia que os singlistas os apoiarão diante de um horizonte sombrio: “Quero acreditar que eles vão entender e nos dar seu apoio, porque as duplas fazem parte da história do tênis. Não é algo que começou há cinco anos.”





