A Agência Internacional para a Integridade do Ténis (ITIA) anunciou esta sexta-feira que Nick Kyrgios está livre para voltar a jogar após aceitar uma suspensão de um mês devido a um teste positivo por cocaína em junho. A decisão surpreendeu Omar Jasika, tenista australiano como Kyrgios, e que na altura foi sancionado com dois anos sem jogar pela mesma substância.
“Não estou a dizer que o Nick deveria ter recebido uma suspensão mais longa. Não acredito de todo nisso. O que estou a dizer é que gostaria que essa mesma ajuda e compreensão tivessem estado disponíveis para mim”, escreveu Jasika numa publicação na sua conta de Instagram após tomar conhecimento da decisão da ITIA.
Atual número 408 do ranking ATP, Jasika testou positivo por cocaína em 2018, quando tinha 21 anos e era uma das grandes promessas do ténis australiano, e recebeu uma suspensão de dois anos.
“Assumi a responsabilidade pelos meus atos e cumpri cada dia dessa suspensão. Como a pandemia de COVID chegou pouco depois de eu ficar elegível para regressar, perdi na prática quase quatro anos da minha carreira durante alguns dos anos mais importantes da minha vida”, afirmou Jasika. “Hoje, as regras mudaram. Um jogador numa situação semelhante pode receber uma suspensão de um mês se entrar num programa de tratamento aprovado.”
Jasika, que chegou a ser número 177 da ATP após a sanção, esclareceu que a sua mensagem não era um ataque a Kyrgios. “Em primeiro lugar, isto não é um ataque ao Nick. Ele é um amigo meu e apoio-o genuinamente neste processo. Fico feliz por ele ter tido a oportunidade de entrar num programa de tratamento, cuidar de si próprio e seguir em frente com a sua vida e carreira.”
“Cometi um erro e merecia consequências, mas perder dois anos da minha carreira foi incrivelmente difícil. Na altura, não me foi oferecido tratamento nem um caminho claro de regresso. Fui simplesmente afastado do desporto e deixado a lidar com tudo o que isso envolvia”, acrescentou Jasika. “Fico feliz por o sistema ter mudado e focar-se agora mais em ajudar os jogadores, mas é difícil não pensar como teriam sido diferentes a minha vida e a minha carreira se essas mesmas opções tivessem existido para mim.”
“Isto não sou eu contra o Nick. Sou eu a perguntar se o castigo que recebi foi justo e se as pessoas afetadas pelas regras antigas merecem ter os seus casos reanalisados.”
Kyrgios testou positivo por cocaína a 23 de junho, durante o ATP 250 de Maiorca. O caso foi anunciado pela ITIA em meados de agosto, explicando que o australiano estava suspenso provisoriamente desde 3 de agosto.
Num comunicado oficial, Kyrgios aceitou os factos e pediu desculpas aos adeptos, à sua família e à sua equipa. Com a suspensão de um mês cumprida, o tenista está elegível para voltar a competir a partir desta mesma sexta-feira.





