Roger Federer não recebeu apenas aplausos em sua cerimônia de entrada no Hall da Fama Internacional do Tênis. Também foi alvo de uma inesperada crítica de Billie Jean King.
“Gostaria que ele lutasse mais pela igualdade, porque sempre digo a ele: você tem dois meninos e duas meninas! Você tem igualdade dentro da sua própria casa!”, confessou a lenda americana à Racquet em meio às celebrações em Newport.
A vencedora de 39 títulos de Grand Slam, em todas as categorias, aprofundou seu comentário, apesar da tentativa de um colaborador de interromper a declaração. “Vocês acham que eu faria alguma coisa para agitar as águas? Ele não quer. Eu também gostaria de ganhar dinheiro”, acrescentou.
Jean King é o maior símbolo do tênis na luta para reduzir a desigualdade existente entre os circuitos feminino e masculino. Foi fundadora e primeira presidente da WTA, exigiu que o US Open igualasse os prêmios pagos aos campeões em 1973 e, naquele mesmo ano, ampliou o debate ao vencer a Batalha dos Sexos contra Bobby Riggs.
Mas a verdade é que a sugestão da americana tem algumas nuances. Embora o suíço nunca tenha sido um ativista na luta pela igualdade no tênis, ele já falou diretamente sobre esse problema.
Em 2020, quando o tênis estava paralisado pela pandemia de Covid-19, o ex-número 1 do mundo propôs de forma clara uma unificação entre ATP e WTA.
“Estou imaginando uma fusão entre WTA e ATP. Não estou falando em fundir a competição dentro de quadra, mas em unir os dois órgãos de governança que supervisionam os circuitos profissionais masculino e feminino. Provavelmente isso deveria ter acontecido há muito tempo, mas talvez agora seja realmente o momento. Estes são tempos difíceis em todos os esportes, e podemos sair disso com dois órgãos enfraquecidos ou com um órgão mais forte”, declarou naquela ocasião por meio de uma série de publicações no X.
Naquele já distante 2020, o 20 vezes campeão de Grand Slam recebeu o apoio da lenda que hoje o critica. “Concordo, e venho dizendo isso desde o início dos anos 70. Uma única voz, mulheres e homens juntos, essa sempre foi a minha visão para o tênis. A WTA por conta própria sempre foi o plano B. Fico feliz que estejamos na mesma página. Vamos tornar isso realidade”, respondeu Jean King.
I agree, and have been saying so since the early 1970s. One voice, women and men together, has long been my vision for tennis.
The WTA on its own was always Plan B.
I’m glad we are on the same page.
Let’s make it happen. #OneVoice
— Billie Jean King (@BillieJeanKing) April 22, 2020
O fato é que, depois daquela série de tuítes e do apoio de muitos tenistas, a situação não mudou completamente. Foram criados eventos mistos, como a United Cup, mas os circuitos continuaram funcionando de forma independente, apesar de compartilharem eventos e alguns patrocinadores.
A grande mudança tentou se concretizar em 2025, quando ATP e WTA começaram a realizar reuniões formais para fundir os dois órgãos, mas tudo desmoronou em meados de julho de 2026.
Uma reportagem do The Guardian informou que a nova presidente do tênis feminino, Valerie Camillo, rejeitou os termos de participação nas receitas que vinham sendo discutidos, e o plano ficou suspenso por tempo indeterminado.





