PARIS – Ele pensou que nunca mais voltaria a ser um tenista de elite, pensou que sua história havia chegado ao fim. E é por isso que Matteo Berrettini se afogou neste sábado em um mar de lágrimas de alegria após conquistar uma vitória épica sobre o argentino Francisco Comesaña e avançar para as oitavas de final de Roland Garros.
“Duvidei um pouco demais de mim mesmo nos últimos anos, apesar de ter tido um apoio incrível dos meus amigos e da minha família”, disse um sorridente Berrettini após o placar de 7-6 (7-3), 5-7, 6-7 (4-7), 6-4 e 7-6 (15-13) em cinco horas e 13 minutos.
Comesaña teve dois match points no tie-break final e poderia ter vencido a partida disputada na quadra Simonne-Mathieu, a terceira em importância do torneio e seu cenário mais belo, localizada no meio de uma estufa.
Berrettini, de 30 anos e 105º no ranking mundial, chegou a ser o sexto melhor jogador do mundo em janeiro de 2022, meses depois de ser finalista de Wimbledon.
Desde então, uma série de lesões e problemas físicos o afastaram do primeiro plano do circuito: o italiano disputou apenas dez dos 18 Grand Slams desde que perdeu aquela final para o sérvio Novak Djokovic no All England Club.
Agora, com o ex-tenista sueco Thomas Enqvist como co-treinador, o italiano volta a acreditar que a vida é bela no tênis.
O adversário de Berrettini na segunda-feira será o argentino Juan Manuel Cerúndolo, autor da maior surpresa do torneio ao eliminar o italiano Jannik Sinner, número um do mundo, e vencedor neste sábado do espanhol Martín Landaluce em uma partida que entrará para a história do torneio.
Cerúndolo, que está pela primeira vez na carreira nas oitavas de final de um Grand Slam, venceu por 6-4, 6-7 (7-9), 7-6 (7-4), 6-7 (4-7) e 7-6 (10-8) em cinco horas e 57 minutos, a terceira partida mais longa da história de Roland Garros: o argentino conquistou 214 pontos e o espanhol, 213. Foi, além disso, a partida mais longa desde que, em 2022, foi introduzido o super tie-break no set final.
O mais velho dos Cerúndolo, Francisco, foi derrotado pelo americano Zachary Svajda por 6-3, 6-4, 3-6, 4-6 e 6-3 em uma partida em que voltou a perder a calma.
Em um momento da partida, Cerúndolo pediu ao seu treinador, o ex-tenista Pablo Cuevas, que não falasse mais com ele e saísse do estádio. O uruguaio foi embora e resta saber se continuará treinando o argentino, que acrescenta assim mais um capítulo à relação conturbada entre jogadores e treinadores que vem sendo vista neste Roland Garros. A anterior teve como protagonistas o espanhol Alejandro Davidovich-Fokina e o treinador argentino Mariano Puerta.
Em um sábado de calor e partidas emocionantes, o chileno Alejandro Tabilo acabou com as esperanças francesas ao derrotar Moise Kouamé, o prodígio de 17 anos, por 4-6, 6-3, 6-4 e 7-6 (11-9).
“Estou muito, muito feliz”, disse o chileno. “Sabia que Kouamé seria difícil, ele está jogando incrivelmente bem. E o ambiente estava uma loucura, acho que nunca vi nada parecido na minha vida, estou orgulhoso de ter conseguido vencê-lo.”
Tabilo, o quarto chileno a chegar às oitavas de final em Paris neste século — juntando-se a Fernando González, Cristian Garin e Nicolás Jarry — jogou na Suzanne Lenglen, um estádio que costuma ter um público explosivo e que torce pelos jogadores locais além dos limites do regulamento. É a primeira vez na carreira que Tabilo chega às oitavas de final de um Grand Slam.
Berrettini, por outro lado, sabe bem do que se trata. Neste sábado, ao entrar na sala de imprensa, recebeu aplausos dos jornalistas italianos e, quando se sentou exausto na cadeira, ouviu uma piada: “Bem, Matteo, nem parece que você jogou cinco horas!”.
“Confesso que achei que não conseguiria voltar, e por isso hoje fiquei emocionado, provei a mim mesmo que sou capaz. Houve um longo período em que a mente estava presente, mas o corpo não, ou vice-versa.Comecei a me sentir bem no verão passado e muito bem na Copa Davis no final do ano”, explicou o italiano.
Seu saque poderoso e eficaz foi fundamental contra Comesaña, a quem elogiou muito, mas só com o saque não basta, alertou Berrettini.
“O saque é a base do meu jogo, mas, ao mesmo tempo, já vimos no passado grandes sacadores que, se não estiverem cem por cento mentalmente, não importa que tipo de armas tenham… Uma coisa é ter uma arma, e outra é saber como usá-la.”
As emoções estão à flor da pele no italiano, que sonha em voltar a lutar por grandes conquistas no tênis: “Desde que comecei a jogar tênis, acontece de meu coração e minha respiração acelerarem em determinados momentos. Mas se você corre cinco horas sob o sol, é lógico que isso aconteça, não é?”.





