PARIS — O tênis surpreende de vez em quando, mas pode-se dizer que acaba de atingir um novo patamar quando Roland Garros apresenta a história de um jogador abandonado pelo treinador sem aviso prévio, em pleno torneio de Grand Slam.
“Ele simplesmente pegou o voo e foi embora. E me mandou uma mensagem bem longa”, explicou nesta quarta-feira o espanhol Alejandro Davidovich-Fokina, enquanto gesticulava com as mãos para ilustrar a mensagem de WhatsApp consideravelmente longa que recebeu do argentino Mariano Puerta, seu agora ex-treinador.
Davidovich-Fokina foi eliminado na segunda rodada do Aberto da França pelo argentino Thiago Tirante, mas foi outro argentino, Puerta, que o deixou “atordoado”.
“Ele me disse que estava se sentindo mal, que ia para o hotel. E simplesmente pegou o voo para Miami. Ele é um adulto e pode tomar suas próprias decisões. Não sei se vou responder ou contestar essa mensagem. Mas, como pessoa, ele falhou com toda a equipe”.
O espanhol já tem um novo treinador, seu compatriota José Manuel Clavet, e Puerta não respondeu às perguntas da CLAY para dar sua versão do ocorrido.
Davidovich-Fokina, um jogador com grande talento, mas também com explosões vulcânicas, insistiu que não tem ideia do que aconteceu. Negou qualquer briga ou tensão com o argentino desde que o contratou como treinador em janeiro deste ano e mencionou que Puerta bloqueou até mesmo sua esposa na rede social WhatsApp.

O espanhol, de 26 anos e número 23 do ranking mundial da ATP, ganhou destaque em 2025 ao disputar quatro finais e perder todas elas, apesar de ter tido vários match points.
Nesta quarta-feira, ele lamentou ter contratado Puerta. “Eu achava que ele era uma boa pessoa, mas depois disso descobri que ele já tinha feito a mesma coisa algumas vezes. A culpa foi minha por contratá-lo”.
Puerta é bem conhecido em Paris. Derrotado por Rafael Nadal na final de Roland Garros de 2005, ele foi flagrado duas vezes por doping. A segunda punição, após o doping naquela final, foi de oito anos, posteriormente reduzida para dois.
Apesar da insistência sobre se nos meses anteriores havia havido tensão ou algum problema entre os dois, Davidovich-Fokina, o primeiro tenista abandonado sem aviso prévio por seu treinador no meio de um torneio de Grand Slam, negou que algo assim tivesse acontecido: “Não aconteceu nada”.





