O tênis feminino atual não conhece dinastias, muito menos um “Big Three”. A final de Wimbledon, entre as tchecas Karolina Muchova e Linda Noskova, coroará, pela 11ª vez desde 2020, uma nova campeã de Grand Slam. Em Londres, será a nona campeã diferente nas últimas nove edições.
Muchova, que venceu a americana Coco Gauff por 6-2, 1-6 e 7-6 (12-10), disputará sua segunda final de Grand Slam, enquanto Noskova, que derrotou a ucraniana Marta Kostyuk por 6-4 e 6-4, jamais havia passado das quartas de final em um dos quatro torneios mais importantes do mundo.
“É um momento muito especial. É uma conquista enorme. Wimbledon é um dos torneios mais importantes que existem, com toda a sua história e todas as lendas que jogaram aqui”, disse Muchova, número 9 do mundo, que perdeu a final de Roland Garros em 2023.
Noskova, por sua vez, admitiu sua falta de experiência em partidas desse nível. “Você sempre quer viver momentos como este e vencer partidas tão importantes, mas, quando isso realmente acontece, você não sabe muito bem como reagir”, afirmou a número 12 do ranking.
Protagonistas inesperadas em praticamente qualquer torneio do mundo, menos em Wimbledon. Há quatro anos, a capital inglesa vem coroando campeãs que chegaram ao torneio longe dos principais holofotes: Elena Rybakina era a número 23 do mundo em 2022, Marketa Vondrousova ocupava a 42ª posição em 2023, Barbora Krejcikova era a número 32 em 2024 e, embora Iga Swiatek fosse a número 8 do mundo no ano passado, jamais havia passado das quartas de final no All England Club.
Na verdade, Wimbledon reúne alguns dos dados mais reveladores dessa renovação de campeãs: nenhuma jogadora conseguiu defender o título desde Serena Williams, em 2016, e, desde 2017, nenhuma campeã voltou a vencer em Londres.
Mas o restante do calendário não está alheio a esse cenário. Embora o circuito feminino tenha contado com jogadoras dominantes nos últimos anos, a constante renovação de campeãs tornou-se uma das marcas mais emblemáticas da WTA na última década.
Sem considerar 2020, quando Wimbledon não foi disputado, em 2017, 2018, 2019, 2021, 2023 e 2025 os títulos de Grand Slam foram divididos entre quatro campeãs diferentes, algo que não acontece no circuito masculino desde 2014.
O contraste entre homens e mulheres torna esse fenômeno ainda mais marcante. Impulsionado pelo “Big Three” e, posteriormente, pela rivalidade entre Sinner e Alcaraz, o circuito masculino se acostumou a ver pouquíssimos nomes na disputa pelos grandes títulos.
As mulheres, por outro lado, sempre tiveram chaves mais abertas e, com exceção do domínio de Iga Swiatek em Paris entre 2022 e 2024, é preciso voltar ao US Open de 2014, conquistado por Serena Williams, para encontrar outra jogadora que tenha vencido o mesmo Grand Slam por três anos consecutivos.
Nesse mesmo período, Rafael Nadal conquistou Roland Garros quatro vezes seguidas (2017–2020), enquanto Novak Djokovic venceu três edições consecutivas do Australian Open (2019–2021) e outras quatro de Wimbledon (2018–2022).
Embora Aryna Sabalenka apareça como a jogadora mais dominante dos últimos anos e a principal candidata a construir uma dinastia no circuito, em 2026 ela ainda não conquistou nenhum título de Grand Slam e, até agora, seus triunfos em majors se limitam ao Australian Open e ao US Open. Swiatek, outro dos grandes nomes da WTA, venceu apenas dois Grand Slams desde 2024.
No total, desde 2020 até hoje, 12 mulheres diferentes conquistaram títulos de Grand Slam. Muchova ou Noskova será a 13ª. Mais um nome em uma lista que, por enquanto, não para de crescer. O circuito feminino é repleto de surpresas, e Londres é a cidade que mais entende disso.





