Mérito esportivo? Estratégia comercial? Homenagem por sua história? Os motivos por trás do convite recebido por Venus Williams para a chave principal de simples do US Open geram controvérsia no tênis.
A americana, de 46 anos, não vence uma partida desde julho de 2025, acumula 14 torneios consecutivos sendo eliminada na primeira rodada e atualmente está fora do Top 600 da WTA. Apesar desse cenário, em 2026 ela já recebeu 11 convites para chaves principais.
“Continuo dando o meu melhor em tudo o que faço, como sempre. Invisto a mesma energia, o mesmo esforço, a mesma concentração, a mesma vontade. Continuo aprendendo coisas novas. Sempre foi assim ao longo da minha carreira. O objetivo é aproveitar o processo”, contou em Toronto, antes do WTA 1000 do Canadá, onde recebeu um convite e perdeu na primeira rodada.
É impossível não reconhecer a grandeza de Venus no circuito feminino, mas, ao mesmo tempo, é inevitável perguntar se a ex-número 1 do mundo está tirando oportunidades de jovens que poderiam despontar no circuito ou de tenistas que estão voltando de lesões, mas que ainda têm condições de serem competitivas.
Em 2026, Williams participou de 11 torneios: Auckland, Hobart, Australian Open, Austin, Indian Wells, Miami, Madrid, Bad Homburg, Washington, Toronto e Cincinnati.
Em todos eles, recebeu convites para a chave principal e, em todos, perdeu na primeira rodada, vencendo apenas quatro sets ao longo da temporada em simples.
A ex-número 1 do mundo também acumula 14 derrotas consecutivas no circuito, sequência que começou em julho de 2025, em Washington, onde perdeu na segunda rodada. Caso seja derrotada em sua estreia no US Open, entrará no Top 5 das maiores sequências negativas da história da WTA.
Apesar da força dos números, a mais velha das irmãs Williams não se mostrou preocupada com seu momento atual. “Em todos os momentos tive o controle dos pontos, mas não consegui fechá-los como queria. O positivo é que estou controlando as pancadas, simplesmente preciso ser um pouco mais consistente nos momentos finais”, disse após perder em Cincinnati para a colombiana Emilia Arango, número 95 do mundo.
Em meados do ano passado, a duas vezes campeã em Nova York decidiu voltar a competir após um período de 16 meses “aposentada”. Desde então, todas as suas participações no circuito aconteceram por meio de convites, algo que, a esta altura, começa a gerar questionamentos entre os fãs de tênis.
De um lado, há quem considere justo que Venus Williams, ex-número 1 do mundo e 23 vezes campeã de Grand Slam entre simples e duplas, continue recebendo convites dos torneios mais importantes do mundo, mesmo que, esportivamente, não esteja respondendo a esse nível e tenha conquistado apenas duas vitórias desde agosto de 2023.
Outros acreditam que, depois de 11 convites em um ano e nenhuma partida vencida, a jogadora deveria deixar de ser considerada para essas vagas especiais.
No caso deste US Open, a atenção também está voltada para uma possível participação de Serena Williams, que, aos 44 anos, voltou a competir em meados desta temporada.
Com um wild card ainda a ser anunciado, a expectativa midiática de voltar a ter as irmãs Williams jogando novamente em Nova York é algo que, sem dúvida, foi levado em consideração pela organização do torneio.
Apesar de todo o debate, a verdade é que a decisão sobre quem recebe um convite depende 100% do torneio organizador, e não existe um regulamento que determine se esses jogadores devem cumprir determinadas condições ou obter certos resultados para serem elegíveis.
Além disso, em outros esportes, como o golfe, é comum ver jogadores históricos disputando os torneios mais importantes sem serem necessariamente competitivos. A diferença é que, no PGA e nos Majors de golfe, os campeões recebem, em muitos casos, isenções vitalícias e não precisam ser avaliados ano a ano, como acontece no tênis.
A grande pergunta é o que acontecerá depois desta gira norte-americana e se, na próxima temporada, Williams continuará recebendo convites de torneios que já lhe concederam uma vaga em 2026. Haverá mais oportunidades para a lenda americana ou a janela finalmente se fechará?





