NOVA YORK — Seu sonho para 2026 era vencer um título ATP e já soma dois. Ignacio Buse chegou cheio de confiança ao US Open, com um novo título e com a esperança de igualar o registro do avô.
“É muito especial vencer a primeira partida num US Open. Acho que tudo tem ido bastante em ascensão este ano”, disse em Nova York a um grupo reduzido de veículos de imprensa, incluindo a CLAY.
Sua vitória por 3-6, 6-3, 6-3, 6-7 (6-8) e 6-1 na primeira rodada do torneio nesta quarta-feira, diante do norte-americano Marcos Giron, tem um ingrediente especial: na Era Amadora, seu avô Eduardo Buse competiu três vezes no chaveamento de simples do US Open (quando o torneio se chamava US National Championships e era disputado em Forest Hills). Buse venceu uma partida na edição de 1942, e outra em 1958. Junto com seu irmão Enrique jogavam muito de duplas.
O tenista de 22 anos os recorda: “Meus avôs arrasavam na época deles quando não havia ranking ATP. Eram a melhor dupla da América do Sul e da América Latina. Jogaram tudo: US Open, Wimbledon…”
Uma das quadras mais importantes do Peru leva o nome deles: o Estádio Coliseu dos Irmãos Buse do clube Lawn Tennis de la Exposición, em Lima. É sede histórica da equipe peruana de Copa Davis. Foi ali que Andre Agassi fez sua estreia na competição, quando em abril de 1988 enfrentou com 17 anos o peruano Jaime Yzaga.
A semana após o US Open, o Peru receberá o Paraguai pelo Grupo Mundial I da Davis. Não será no tradicional recinto. Ignacio Buse e companhia enfrentarão a equipe de Daniel Vallejo no Jockey Club.
“Para mim é especial o Estádio Irmãos Buse, mas por questão de orçamento era muito melhor o Jockey Club — montar um estádio melhor, logisticamente também ficava melhor para nós. No final se tomou a decisão e estou muito contente. Acho que é a decisão certa para esta série”, explicou em Flushing Meadows.
O esportista peruano já vive há três anos em Barcelona. “Um objetivo que tenho é poder ter uma base em Lima com a melhor infraestrutura, com gente para treinar. Confio em que a Federação peruana está fazendo um grande trabalho. Além disso, estão fazendo cada vez mais torneios na América do Sul.”
“O circuito não vai mudar, é preciso estar muito fora. Mas estou esperançoso de que em algum momento possa fazer base no país”, confessou.
Em fevereiro, Buse revelou em entrevista com a CLAY seu desejo de levantar seu primeiro troféu profissional. Em maio, no ATP 500 de Hamburgo realizou esse sonho. Na véspera do US Open somou o título do ATP 250 de Winston-Salem.
“Venho treinando bastante bem, confiando muito na minha equipe, acho que isso é muito importante. São pequenas coisas que vão acontecendo — bem, não tão pequenas… Ganhei outro ATP!”, disse com um sorriso.
“Acho que cada dia é importante, não importa se é um treino. Está se dando a importância que merece cada dia, e isso é muito importante para continuar melhorando”, acrescentou o número 30 do mundo.





