PARIS — O paraguaio Daniel Vallejo receberá uma “sanção significativa” por parte do torneio de Roland Garros após afirmar em declarações à CLAY que há partidas que não devem ser arbitradas por mulheres.
“A Federação Francesa de Tênis (FFT) e os organizadores do torneio de Roland-Garros tomaram nota dos comentários de Adolfo Daniel Vallejo sobre a árbitra após sua partida de 28 de maio de 2026 e consideram que tais comentários são inaceitáveis.”
“A competência de um árbitro não é determinada por seu gênero, mas por seu profissionalismo e sua capacidade de arbitrar no mais alto nível. O resultado de um evento esportivo, seja ele positivo ou negativo, nunca pode justificar nem desculpar tais comentários”, acrescenta o comunicado divulgado na tarde desta sexta-feira pela FFT.
“Os organizadores do torneio aplicarão uma punição significativa a Adolfo Vallejo na forma de multa. O torneio de Roland-Garros condena veementemente todos os comentários sexistas, independentemente de quem os faça, e oferece seu apoio ao árbitro da partida e, em geral, a todos os árbitros do torneio.”

Vallejo perdeu na quinta-feira em cinco sets e cinco horas para o prodígio francês Moise Kouame e, após sua coletiva de imprensa, conversou por alguns minutos a sós com a CLAY.
“Esse tipo de partida tem que ser apitada por um homem, é muito difícil que uma mulher consiga fazer isso”, disse Vallejo após a derrota por 6-3, 7-5, 3-6, 2-6 e 7-6 (10-8) para Kouame, de 17 anos e 317º no ranking mundial, na segunda rodada do torneio.
O paraguaio, de 22 anos e 71º no ranking mundial, teve uma vantagem de 5-2 no set final e se recuperou de um 1-6 para chegar a 7-6 no super tie-break desse mesmo set. Ele não chegou a ter um match point, mas esteve notavelmente perto de vencer uma partida explosiva no estádio Suzanne Lenglen, o segundo palco em importância no Aberto da França.
O público francês, que nos últimos anos em Roland Garros ultrapassou muitas vezes a barreira do barulho para entrar na categoria do agressivo, torceu com paixão por Kouame, que interagiu com as arquibancadas com determinação e se beneficiou, com os gritos da torcida, de pausas muito benéficas em meio à onda de calor que assola a Europa.

Vallejo realmente acredita que uma mulher não pode arbitrar esse tipo de partida? O paraguaio insistiu que a brasileira Ana Carvalho não era a pessoa adequada para uma partida como a desta quinta-feira em Paris.
“Tem que ser um homem a arbitrar, porque é um público muito pesado e é preciso ter muita força para ir contra o público”, insistiu o paraguaio.
“O público foi muito deslocado, mas entendo que eles estão apoiando seu compatriota. É um público bastante intenso e, por isso, eu já estava preparado, já sabia que seria assim e, na verdade, isso não me prejudicou, mas, acima de tudo, fortaleceu ele.”
Em que sentido? “Acho que ela demorou muito várias vezes, deitada no chão ou ganhando tempo demais. E também não é normal que o público fique gritando por um minuto seguido sem que haja jogada. Em uma partida onde o aspecto físico importa muito, se você dá muito tempo a um jogador, obviamente ele vai aproveitar. A verdade é que também é difícil para um árbitro lidar com essa situação.”
Nesta sexta-feira, depois que suas declarações à CLAY viralizaram nas redes sociais, Vallejo alegou ter sido “tirado do contexto”.
“Nunca falei das mulheres em geral, falei sobre a árbitra especificamente, que não controlou o público em nenhum momento da partida. Dito isso, também não disse que perdi por culpa dela. Parabenizei o adversário e é normal que o público torça pelo jogador local”, argumentou o tenista paraguaio.
Os artigos publicados em espanhol, inglês e português na CLAY refletem com precisão e contexto o que Vallejo disse durante a entrevista a este meio de comunicação. Além disso, a CLAY publicou em suas redes sociais o áudio com a passagem específica em que o jogador se referiu ao tema das árbitras de cadeira.





