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A grande fortaleza de Djokovic é o calcanhar de Aquiles de Sinner

Novak Djokovic and Jannik Sinner in Wimbledon / SEBASTIÁN VARELA - CLAY MAGAZINE
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Nesta terça-feira, 8 de julho, de Atlanta a Londres, do futebol ao tênis, duas das maiores lendas do esporte enviaram uma mensagem semelhante: Lionel Messi e Novak Djokovic disseram algo como “somos velhos, sim, mas ainda não dissemos nossa última palavra”.

Com um gol e uma assistência, Lionel Messi comandou uma virada épica da Argentina (3 a 2 sobre o Egito quando a Albiceleste perdia por 2 a 0 a poucos minutos do fim) rumo às quartas de final da Copa do Mundo. Poucas horas depois, na grama de Wimbledon, Novak Djokovic sobreviveu a uma batalha de mais de cinco horas, derrubou o canadense Félix Auger-Aliassime por 7-6 (12-10), 3-6, 6-3, 6-7 (4-7) e 7-6 (10-4) e se garantiu na semifinal do torneio mais prestigiado que existe.

Os dois com 39 anos, Messi e Djokovic vislumbram a aposentadoria há algum tempo. Messi se mudou em 2023 para Miami para desfrutar de sua última etapa como profissional sem las exigências de um grande clube europeu, e Djokovic também está, desde 2023, com a contagem de Grand Slams estagnada. Mas a ambos, como aos maiores ícones, une também esse fogo interno de querer mais e mais. E o corpo, apesar da idade, ainda permite.

“Eu gostaria de jogar 90 minutos como o Messi, mas…”, brincou Djokovic na noite de terça-feira, após cinco horas e 15 minutos de batalha contra Auger-Aliassime. Foi o jogo mais longo de sua carreira em Wimbledon, uma ode à tenacidade e à resistência de um homem empenhado em derrubar mais uma fronteira: vencer um Grand Slam à beira dos 40 anos e com a geração Sinner-Alcaraz já estabelecida como a grande dominadora do presente e do futuro.

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O sérvio esteve perto em janeiro, na Austrália, quando derrotou o italiano nas semis antes de cair diante do espanhol. E ele tenta novamente em Wimbledon, onde nesta sexta-feira cruzará com Sinner nas semifinais. Desta vez, além disso, Alcaraz não o esperaria em uma hipotética final, ausente por uma lesão no pulso.

Djokovic e Sinner se enfrentarão na sexta-feira pela décima segunda vez. O histórico do confronto sorri levemente para o italiano (6-5), vencedor do mesmo duelo há exatamente um ano: superou o sérvio por 6-3, 6-3 e 6-4 nas semis de Wimbledon 2025. O último confronto entre eles, na Austrália, terminou, contudo, com vitória do campeão de 24 Grand Slams.

 

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La grande fraqueza de Sinner

Analisado sob o microscópio dos dados, este duelo geracional revela um axioma brutal para uma partida de cinco sets: a maior fortaleza de Djokovic é a grande fraqueza de Sinner. E o jogo de terça-feira contra Aliassime é a prova definitiva.

Quando as partidas se transformam em batalhas de desgaste extremo e cruzam a barreira das quatro horas, a narrativa muda por completo. Os números que sustentam a lenda de Djokovic nas maratonas são uma loucura. Em partidas que se estenderam além de 4 horas e 55 minutos, o sérvio ostenta um recorde perfeito de sete vitórias e zero derrotas. Ninguém sobrevive ao sérvio quando o relógio se aproxima das cinco horas.

Novak Djokovic and Jannik Sinner in Wimbledon / SEBASTIÁN VARELA - CLAY MAGAZINE
Novak Djokovic and Jannik Sinner in Wimbledon / SEBASTIÁN VARELA – CLAY MAGAZINE

Na terça-feira, durante a transmissão da partida na Movistar+, Álex Corretja e Feliciano López esfregaram os olhos repetidas vezes durante o quinto set e aquele super tiebreak de 14 pontos no qual Djokovic não cometeu um único erro não forçado. “Estar a este nível depois de cinco horas não me parece possível. Porque nunca vi isso em ninguém. Isso me impressiona. O normal é que venha uma lesão, cãibras, uma queda física, mas nada, com o Nole não acontece nada”, maravilhava-se Feliciano López. “Você está humilhando o resto de nós, humanos. Acho que ele não nasceu neste planeta”, rendeu-se Corretja.

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Sinner, de 24 anos — 15 a menos que Djokovic —, tem uma estatística diametralmente oposta à do sérvio quando os jogos se alongam. É um calcanhar de Aquiles particular. O italiano carrega uma estatística preocupante: um recorde de 0-7 em partidas que superam as quatro horas em torneios de Grand Slam, incluindo quedas dolorosas onde o físico e a cabeça acabaram cobrando o seu preço.

“Preciso me recuperar, porque enfrento o melhor jogador do mundo”, adiantou Djokovic na noite de terça-feira em Wimbledon. O lado bom para o sérvio é que ele tem dois dias de descanso para recarregar as baterias. Vai precisar: não se ganha de Sinner pela via rápida, mas sim através do desgaste.

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