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Carlos Alcaraz encontra a última peça do quebra-cabeça quando menos se esperava: “Eu teria medo de enfrentá-lo”.

Carlos Alcaraz Indian Wells
Carlos Alcaraz at the Indian Wells Tennis Gardens / ROSS WIGHTMAN
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Quando você vê Carlos Alcaraz em quadra, você assiste a uma série de soluções impossíveis, uma demonstração incrível de potência física e uma alegria contagiante.

No entanto, por outro lado, sua genialidade às vezes apresentava uma pequena fragilidade: a inconsistência. O espanhol era capaz do melhor — ganhar um Grand Slam, chegar ao primeiro lugar no ranking, derrotar os maiores nomes —, mas, ao mesmo tempo, tinha dificuldade em encontrar a estabilidade emocional que permitisse a ele evitar grandes oscilações, tanto durante a temporada quanto nas partidas em si.

“No segundo set, não consegui mais voltar, estava praticamente na lua” – disse Alcaraz certa vez, após um desses lapsos. Esse lapso em particular lhe custou a semifinal do US Open de 2023 contra Daniil Medvedev. O espanhol muitas vezes acabava se desconcentrando durante as partidas. Às vezes, ele voltava a tempo; outras vezes, era tarde demais. Alcaraz repetiu várias vezes que estava trabalhando para ter mais consistência. E agora está claro que ele conseguiu.

“Acho que tenho controlado muito melhor as minhas emoções em quadra. Diria que essa tem sido a chave para o nível de tênis que tenho apresentado ultimamente” disse Alcaraz há alguns dias, em uma coletiva de imprensa em Indian Wells. “Em quadra, estou me controlando e, a partir de um estado de tranquilidade, consigo encontrar as soluções.”

“Ultimamente, quando me irrito ou jogo mal, ou seja lá o que for, simplesmente encontro o meu caminho de volta porque mantenho a calma”, acrescentou o número 1 da ATP. “Controlo a mim mesmo e às minhas emoções e mantenho uma boa concentração.”

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Maturidade após a ruptura com Ferrero

Os números falam por si: Alcaraz está há quase 12 meses sem percalços. Desde as derrotas consecutivas para Jack Draper — nas semifinais de Indian Wells 2025 — e David Goffin — em sua estreia em Miami 2025 —, o espanhol disputou 13 torneios com um recorde de nove títulos, três finais e uma única imperfeição: a derrota para Cameron Norrie na segunda rodada do Masters de Paris.

“Paris nesta época do ano não é para nós”, brincou Alcaraz dias depois daquela derrota em duplas com Marcel Granollers. Os dois espanhóis haviam sido campeões na capital francesa em maio, em Roland Garros.

O fato de duas dessas três finais perdidas terem sido contra Jannik Sinner é outra estatística que mostra a diferença dele em relação aos outros. Na outra, a final em Barcelona contra Holger Rune, ele estava lesionado.

Mas, além da frieza dos números, o que chama a atenção é o contexto: Alcaraz conseguiu manter esse nível de maturidade mesmo após a dolorosa separação de Juan Carlos Ferrero, o técnico que o orientou nos últimos sete anos e com quem conquistou tudo.

 

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É difícil avaliar como deve ser difícil vencer o Aberto da Austrália e chegar em março a Indian Wells sem nenhuma derrota, com um recorde de 12-0 após o terremoto emocional causado pela separação de Ferrero.

“Algo assim nem sempre é fácil, porque no fim das contas existe um lado afetivo e isso sempre estará presente”, disse David Ferrer, ex-número 3 do mundo e atual capitão da equipe espanhola na Copa Davis, à CLAY. “Carlos é um cara muito focado, muito profissional, e mostrou que soube lidar muito bem com a situação, tanto na Austrália quanto em Doha.”

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“Carlitos está tendo um ano muito bom. Evidentemente, por nao ter perdido nenhuma partida, acaba tendo muita confiança e estabilidade. Considero que ele seja um jogador especial, diferente, como era Rafa Nadal, como o Big Three. São jogadores que lidam muito bem com a pressão”, acrescentou Ferrer.

Carlos Alcaraz
Carlos Alcaraz after his succesfull debut at Indian Wells 2026 / ROSS WIGHTMAN

“Em quadra, ele consegue ficar tranquilo e encarar as coisas com calma.”

Carla Suárez, capitã da equipe espanhola da Billie Jean King Cup, tem uma opinião parecida com a do Ferrer. “Alcaraz vem mostrando um nível de maturidade e experiência que permitem que ele lide com todas essas emoções. É ótimo que ele reconheça isso e fale abertamente, porque já te coloca um passo à frente no jeito de lidar com as emoções”, disse a ex-tenista espanhola à CLAY.

A ex-número 6 do mundo acrescentou outro ponto: como o resto do circuito deve estar se sentindo.

“Talvez fora das quadras ele continue pensando na situação de Ferrero, mas uma vez dentro de quadra ele consegue relaxar e ver as coisas com objetividade. Ele viu que com Samu (López) e com seu irmão também consegue ter um ótimo desempenho, e se ele diz que agora se sente mais calmo e estável, eu teria medo de enfrentá-lo.”

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