Os donos do tênis haviam encontrado no Oriente Médio seu parceiro perfeito, mas, de repente, surgiu um problema que não haviam previsto: apesar de ser a região com mais dinheiro do planeta, também é uma das mais instáveis em termos geopolíticos.
Menos de um ano depois de a ATP anunciar um novo Masters 1000 na Arábia Saudita para 2028, o Oriente Médio tem sido alvo de ataques militares de forma quase ininterrupta. O adiamento, nesta quinta-feira, do Six Kings Slam 2026, a milionária exibição de Riad, é a prova mais recente disso.
“A decisão reflete o compromisso da Riyadh Season de oferecer eventos esportivos com os mais altos padrões, após uma avaliação dos desafios organizacionais e logísticos associados à realização do torneio e de seu possível impacto na qualidade da experiência do público”, afirmou o torneio em comunicado.
A exibição, inicialmente programada para o fim de outubro, foi adiada para 27 de dezembro devido ao atentado terrorista do movimento houthi do Iêmen contra o aeroporto de Riad, que deixou 13 mortos e mais de 300 feridos. O governo da Arábia Saudita respondeu com uma série de bombardeios contra mais de 100 alvos militares em áreas controladas pelos rebeldes, reacendendo as tensões na região.
Em março, o mundo do tênis já havia sentido na pele a fragilidade da região: a campanha militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã começou justamente quando terminavam os torneios ATP de Doha e Dubai, deixando jogadores presos em seus hotéis e sem possibilidade de sair do país. Holger Rune, Daniil Medvedev, Andrey Rublev e Felix Auger-Aliassime foram alguns dos afetados.
“Foi terrível. Não dormimos muito. No escuro, tudo parece mais brutal, com bolas de fogo no céu e explosões constantes. Passamos muito tempo na recepção e eles foram muito gentis. Por fim, fomos para nossos quartos e dormimos, mas Holger estava muito assustado”, explicou na época a mãe de Rune à TV2 Sport.
Essa insegurança levou a WTA a transferir emergencialmente o Finals deste ano para Indian Wells, apesar de seu contrato com a Arábia Saudita incluir a edição de 2026. Na verdade, o torneio não voltará mais a Riad, já que Charlotte foi confirmada como sede para 2027.
“If, instead of putting all his efforts into developing missiles, Kim Jong-un had managed to turn North Korea into an economic powerhouse, the ATP would soon be proudly announcing the Pyongyang Masters 1000.”
@sebastianfest on Saudi’s Masters 1000.
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— Clay (@_claymagazine) October 24, 2025
No caso da ATP, a relação é ainda mais profunda e complexa. Não apenas será acrescentado um novo Masters 1000 na Arábia Saudita em 2028, como o Fundo de Investimento Público (PIF) está em processo de compra de licenças de outros torneios para reestruturá-los em seu benefício. Buenos Aires mudará de superfície em 2029 e Acapulco poderá até desaparecer do calendário. Metz, Chengdu e Hong Kong são outros torneios que foram comprados pela SURJ Sports Investment, subsidiária do PIF saudita. Além disso, o PIF é agora um dos principais patrocinadores da ATP.
Mas agora tudo parece estar em aberto. Enquanto a ATP e o PIF seguem com um plano de expansão agressivo, a situação geopolítica da região é imprevisível, afetando inclusive outros esportes além do tênis.
A Fórmula 1 cancelou neste ano o Grande Prêmio da Arábia Saudita e transferiu o do Bahrein para a Malásia, enquanto as corridas do Catar e de Abu Dhabi, previstas para o fim do ano, estão em suspenso. A NBA não realizou partidas de pré-temporada no Oriente Médio depois de quatro anos consecutivos, e a Finalíssima entre Argentina e Espanha também foi suspensa devido à guerra.
Em 2028, o Oriente Médio será um dos principais motores do calendário, ou pelo menos é isso que a ATP espera. A grande pergunta é se esses planos acabarão se tornando realidade.





