MADRI – Rafael Nadal encontrou uma nova maneira de continuar competindo. Dois anos depois de pendurar a raquete, o campeão de 22 Grand Slams vai iniciar em breve uma aventura que o levará a um dos maiores centros de poder do esporte mundial: o Real Madrid.
O clube merengue anunciou nesta quarta-feira que propôs a entrada de Nadal na Diretoria e, pouco depois, o ex-número 1 do mundo respondeu que sim, que aceitava a proposta. A nomeação ainda precisa ser ratificada pela Assembleia de Sócios Compromissários do Real Madrid, que será realizada no dia 21 de novembro. Será uma mera formalidade: Nadal e o Real Madrid percorriam havia anos dois caminhos destinados a se encontrar.
“Quero agradecer ao presidente Florentino Pérez e à Diretoria por me proporem fazer parte da Diretoria do Real Madrid. Aceitei esta proposta com muito entusiasmo, vontade de aprender e de contribuir com tudo o que puder”, escreveu em seu Instagram Nadal, que há anos é perseguido pelo burburinho de que um dia será presidente do Real Madrid. Esta nomeação, sem dúvida, é mais um passo nessa direção.
A chegada de Nadal representa muito mais do que incorporar uma lenda do esporte e um madridista declarado. Significa somar uma das figuras espanholas de maior projeção internacional, um dos atletas mais reconhecidos e queridos do planeta e uma personalidade que transcende as fronteiras do tênis. Durante mais de duas décadas, o vencedor de 22 Grand Slams se tornou uma das grandes imagens da Espanha no mundo. Seu nome representa uma marca reconhecível, associada a valores como esforço, constância, humildade, respeito ao adversário e capacidade de superação. Justamente alguns desses atributos foram destacados pelo próprio Real Madrid em seu comunicado: “Seu talento, seu espírito de superação permanente, sua capacidade de sacrifício, sua competitividade, sua humildade e seu respeito aos adversários e aos companheiros”.
A experiência empresarial de Nadal
Mas Nadal também chega com uma experiência empresarial e de gestão que vai muito além de sua trajetória como atleta. Seu principal projeto é a Rafa Nadal Academy, inaugurada em Manacor em 2016 e transformada em uma estrutura internacional que combina formação esportiva, educação, hospedagem e outros serviços. Nos meses de maior atividade, o complexo chega a contar com cerca de 700 funcionários. Administrar e fazer crescer uma organização dessas dimensões em uma cidade como Manacor, sua terra natal, é uma experiência nada desprezível para quem agora passa a integrar a direção de uma instituição como o Real Madrid.
Sua atividade empresarial também não se limita ao tênis. Por meio de sua holding Aspemir, Nadal participou de diferentes investimentos e projetos. Entre eles, destaca-se sua parceria com o empresário Abel Matutes no setor imobiliário, com empreendimentos de luxo na Espanha e em outros mercados, além de seu vínculo com os restaurantes Tatel e Totó. Ele também impulsionou a ZEL, a marca hoteleira desenvolvida em parceria com a Meliá, e projetos ligados à saúde e à nutrição, como a NDL Pro-Health. Uma diversificação que reflete seu interesse em construir uma atividade profissional para além dos sucessos esportivos.
A tudo isso se soma uma rede de contatos difícil de igualar. Durante anos, Nadal conviveu com dirigentes, empresários, atletas e personalidades das mais diversas áreas.
Sua visão do esporte, marcada pelo respeito à história das grandes competições, pelo esforço e pela cultura do trabalho, se encaixa no discurso institucional do Real Madrid. Agora, ele terá a oportunidade de levar essa maneira de entender o esporte a uma nova dimensão.
Para Florentino Pérez, essa contratação pode ser vista como uma demonstração de força na disputa que mantém com Enrique Riquelme, o candidato que derrotou nas últimas eleições, realizadas em junho. Florentino Pérez, de 79 anos, tem a seu lado o maior atleta espanhol, uma pessoa querida por todo o madridismo e que encarna o futuro.
A entrada na Diretoria do Real Madrid abre para Nadal um cenário muito diferente do que conheceu durante boa parte da vida. Ele não terá mais que medir forças com Federer ou Djokovic, nem se recuperar de mais uma lesão. Sua experiência, sua capacidade de trabalho e seu conhecimento do esporte passam agora a estar a serviço de uma instituição que conhece perfeitamente da arquibancada. Nadal enfrenta outro desafio: aprender a competir nos bastidores.





