Dezesseis partidas, dezesseis vitórias e três títulos: o 2026 de Carlos Alcaraz nos torneios ATP 500 foi de emoldurar. Um ano perfeito na categoria, com taças em Doha, Tóquio e agora em Viena, enviando um recado a Alexander Zverev e colocando o alemão diante de um espelho incômodo.
O espanhol derrotou neste domingo Álex de Miñaur por 6-1 e 6-4 (em uma hora e 28 minutos) na final de Viena e levantou seu quarto título de 2026, justamente um dia antes de Zverev alcançar um dos grandes feitos de sua carreira: chegar pela primeira vez ao topo do ranking mundial da ATP.
A lógica matemática da classificação da ATP não permite contestação: Zverev é o tenista que mais pontos somou nos últimos 12 meses, além de ter conquistado os títulos de Roland Garros e do US Open. No entanto, as sensações em quadra podem ser muito diferentes do que mostra o algoritmo da ATP. É inegável que as longas lesões do próprio Alcaraz e de Jannik Sinner abriram seu caminho até o topo. E, certamente, muitos fãs ficam com uma sensação estranha ao ver Zverev no topo do ranking enquanto seu jogo vacila diante dos melhores.
Com sua derrota no sábado para De Miñaur nas semifinais de Viena, o alemão acumula onze derrotas e apenas quatro vitórias contra tenistas do Top 10 nos últimos doze meses. Nesse período, Zverev venceu apenas Ben Shelton (duas vezes), Taylor Fritz e De Miñaur. Contra Sinner, por outro lado, conseguiu tirar apenas um set nos seis confrontos disputados no último ano.
Alcaraz, por sua vez, alcançou contra De Miñaur sua décima vitória em 13 jogos contra tenistas do Top 10 no mesmo período. Trata-se de um jogador de grandes ocasiões, que se agiganta diante das melhores raquetes. E De Miñaur sabe bem disso: com o resultado deste domingo em Viena, o australiano perdeu todos os sete confrontos diretos contra o espanhol.
“É muito chato jogar contra você, Carlitos”, disse De Miñaur entre risos durante a cerimônia de premiação. “Mas, como já disse muitas vezes, você é um dos caras mais legais do circuito, é um dos bons. É incrível ter você de volta no circuito e sei que todos os fãs apreciam isso.”
Alcaraz, que desfalcou o circuito entre abril e agosto devido a uma lesão no punho, também elogiou seu rival instantes antes de erguer o troféu. “Minha equipe e eu conhecemos muito bem o nível do Alex. O tênis e o estilo de jogo dele são realmente perigosos. Ele bate bolas muito retas, que quicam baixo e deslizam bastante na quadra, o que torna muito difícil imprimir a potência que gosto de colocar em cada golpe, em cada bola. Além disso, ele é veloz demais, então você tem que conquistar cada ponto. Você pode acertar um winner contra praticamente qualquer jogador, mas contra ele talvez não seja suficiente. Por isso, eu precisava ter muito cuidado com esse aspecto e me manter extremamente focado”, analisou Alcaraz após a final na capital austríaca.
“Obviamente, foi uma semana muito emocionante e incrível para mim, na qual aprendi demais. Trata-se de continuar avançando passo a passo, jogando em quadras cobertas e tentando ganhar cada vez mais confiança nesta superfície. Estou muito feliz e com muita vontade de encarar o que resta da temporada.”
E o restante da temporada está repleto de desafios para o espanhol, com três títulos em jogo que ele nunca conquistou: o Masters 1000 de Paris-Bercy, o ATP Finals e a Copa Davis. Alcaraz já não pode terminar o ano como o número um oficial, mas pode muito bem fazê-lo como o número um moral.





