NEWPORT — Elevou o nível do circuito, criou uma nova forma de jogar, inspirou gerações de jovens e atraiu novos fãs ao desporto. Roger Federer, o mais recente membro do International Tennis Hall of Fame, causou diversos impactos no ténis.
Grandes lendas do ténis reflectiram sobre o legado do suíço. Um spoiler: nenhum fala especificamente de triunfos, títulos ou recordes. Todos concordam que o que construiu vai muito além disso.
“Que modelo a seguir tão positivo em todos os sentidos para o nosso desporto”, disse Billie Jean King à CLAY em Newport, minutos antes de o campeão de 20 Grand Slams ser incorporado ao clube exclusivo.
Mirka Federer, the one who will induct Roger Federer into the International Tennis Hall of Fame. Who else? ❤️ pic.twitter.com/gEZdVRnKJ6
— Clay (@_claymagazine) August 29, 2026
Para King, o grande impacto que Federer gerou nota-se nas grandes figuras do ténis de hoje.
“Pensemos em Carlos Alcaraz. Carlos nasce, e os três melhores jogadores da história jogaram durante mais de 20 anos. Roger teve uma grande rivalidade com Nadal, e depois apareceu Djokovic. Consegues imaginar crescer a ver esses três? É isso que ajuda cada geração a superar-se: estás a ver os maiores. O padrão que Carlos viu toda a sua vida é incrivelmente alto”, analisou a vencedora de 12 Grand Slams.
Mats Wilander, incorporado ao Hall of Fame em 2002, também acredita que o seu grande contributo foi elevar o nível da competição.
“O seu maior impacto é que elevou tanto o nível que a qualidade melhorou de repente de forma notável, porque foi tão dominante na sua geração e levou-a ao patamar seguinte, que é por isso que hoje temos Alcaraz e Sinner”, disse à CLAY o número um mundial em 1988.
“A forma como conseguiu que tantos fãs que não seguiam o ténis se interessassem por vê-lo”, apontou Jim Courier.
“A elegância que trouxe ao jogo, a forma como fazia algo tão complicado parecer tão simples, e manter a sua dignidade e classe ao longo de todo o combate que suportou… foi bastante espectacular”, comentou à CLAY o norte-americano, bicampeão do Open da Austrália e de Roland Garros.
Redefinir o jogo. Impor um estilo único, tão eficaz quanto agradável à vista. Marat Safin, um dos seus grandes rivais de geração, situa aí o principal legado de Federer.
“Ele foi a nova forma de jogar ténis: a sua técnica, a sua visão, a maneira como encarava o jogo. Criou uma nova geração de jogadores jovens que cresceram com ele. A forma como podia jogar com a bola, levou-a a um nível completamente diferente de entender os ângulos. Pode ver-se na forma como se movia, em como antecipava, em como se comportava no court. É o melhor”, disse Safin à CLAY.
“Desafiava-te a jogar a 150% para o bater no seu 100%. É o jogador mais completo de sempre, na minha opinião. A margem de erro é muito pequena, e se perdes um pouco a concentração, estás perdido — e toda a gente sabia disso”, comentou em Newport o russo, ex-número um mundial e campeão em Nova Iorque (2000) e em Melbourne (2005).
Na análise mais puramente técnica, Billie Jean King descreveu um detalhe que para ela representa uma diferença importante:
“Observa a bola melhor do que ninguém, o que adoro analisar. A principal razão pela qual as pessoas falham a bola, especialmente a nível profissional, é porque não a seguem até ao ponto de contacto. Quando Roger jogava, eu dizia: vão ver o Roger. É versátil, é rápido, mas segue a bola”, disse King, membro do Hall of Fame desde 1987.
O carinho popular é outra coisa que destacam, o que se notou neste sábado em Newport, onde nunca antes se congregou tanta gente em torno de uma cerimónia de incorporação.
“É um grande de sempre. As pessoas adoravam-no, em particular o mundo corporativo”, disse Billie Jean King. “Fez com que o jogo fosse tão popular no mundo porque é um exemplo de classe”, afirmou Wilander.





