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Entre as “artes obscuras” e o respeito no vestiário: o furacão Rafael Jódar chega ao US Open

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MADRI — Não há muita dúvida de que Rafael Jódar é a grande sensação do tênis em 2026. Ele começou janeiro como o número 168 do ranking da ATP e, em poucos dias, disputará seu primeiro US Open como número 13 do mundo. No caminho, conquistou seu primeiro título da ATP, em Marrakech, chegou às quartas de final de Roland Garros, foi vice-campeão em Washington e semifinalista no Canadá. Um currículo desse tamanho aos 19 anos é para poucos.

Mas Jódar também se tornou um dos jogadores que mais geram conversa. E nem sempre pelo que faz com uma raquete.

O The New York Times publicou há alguns dias um artigo sobre as “artes obscuras” do tênis tendo Jódar e seus agora famosos problemas com os cadarços como ponto de partida. O rótulo é, no mínimo, chamativo, assim como a quantidade de ruído que se criou em torno de um jogador que ainda está disputando sua primeira temporada completa como profissional.

Há, no entanto, uma particularidade em todo esse barulho: quando se volta aos fatos, boa parte das polêmicas começa a perder força.

O exemplo mais evidente aconteceu em Roland Garros. Um vídeo que se espalhou como fogo pelas redes sociais levou milhares de pessoas a acreditar que Jódar havia empurrado uma boleira. Ele negou imediatamente. Depois, outro ângulo da cena mostrou que a menina havia tropeçado na lona atrás dela e que Jódar sequer havia encostado nela.

Depois vieram os cadarços. Em Cincinnati, Jódar precisou interromper duas vezes a partida contra Denis Shapovalov porque os cadarços de seus tênis se romperam. Uma das interrupções durou cerca de quatro minutos e aconteceu quando o espanhol perdia por 5 a 3 no terceiro set. Shapovalov, que havia desperdiçado uma vantagem de 5 a 1 na parcial decisiva, ficou irritado e deu a entender que aquelas interrupções poderiam ter permitido que Jódar recuperasse o fôlego e quebrasse seu ritmo. Jódar respondeu que não havia o que fazer: os cadarços haviam arrebentado.

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“É uma situação que não posso controlar, sinceramente. Meus cadarços se romperam e precisei de tempo para colocar novos. Vou tentar levar cadarços sobressalentes para a próxima partida, ou até outro par de tênis, para reduzir o tempo de paralisação se isso voltar a acontecer”, disse o espanhol à Tennis TV.

Dito e feito. Dois dias depois, entrou em quadra carregando uma bolsa cheia de tênis. A imagem alimentou ainda mais a narrativa em torno de Jódar. Provocação? Senso de humor? Simples precaução? Seja qual for a resposta, uma coisa está clara: Jódar já não está na boca de todos apenas por seu forehand ou por seu tênis. Existe um burburinho permanente ao seu redor. Mas esse barulho parece vir muito mais de fora do vestiário do que de dentro dele.

Arthur Fils, que enfrentou o espanhol três vezes em 2026, não fala de seu comportamento ou de seus truques. Fala de tênis. “Seu forehand é insano, seu backhand é de alto nível, seu retorno é muito bom. É um grande competidor”, disse, antes de sorrir: “Teremos 10 anos muito divertidos.”

Ben Shelton, que viveu uma explosão parecida há apenas três anos, ficou quase sem palavras quando perguntaram sobre Jódar no Canadá. “Ele provavelmente vai chegar ao top 10 em breve e superar o que eu fiz, ou o que fiz em 2023. Ele tem um ótimo jogo, um jogo completo, e é um ótimo atleta”, afirmou.

 

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Dentro do vestiário, os elogios a Jódar são predominantes. É do lado de fora, sobretudo nas redes sociais, que ele começa a acumular detratores. Rennae Stubbs, ex-número 1 do mundo nas duplas e ex-treinadora de Serena Williams, comparou o temperamento de Jódar ao de Novak Djokovic.

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“Acho que existem certas coisas às quais as pessoas se agarram para criticá-lo. Por exemplo, quando Novak fazia certas coisas, as pessoas achavam que suas intenções eram maliciosas”, afirmou a australiana no episódio mais recente de seu podcast. “Uma coisa de que não gosto é quando os jogadores apontam para a toalha, como se dissessem ‘Traga a toalha’. Acho que esses pequenos detalhes incomodam as pessoas quando veem Jódar fazendo isso. Às vezes, dá a impressão de que ele acha que tem direito a tudo.”

Ainda assim, Stubbs acredita que Jódar “é um bom garoto”. “Depois de ter convivido com ele fora da quadra — e seu pai é uma pessoa adorável —, acho que ele é um garoto ótimo, embora às vezes tenha um temperamento um pouco irritadiço em quadra. Ele é jovem; é preciso dar tempo a ele. Em termos de talento, ele vai ganhar um Grand Slam nos próximos três anos.”

Jódar tem personalidade. Ele já mostrou isso. Fica irritado, reclama, gesticula e exige. Em Roma, chegou a discutir com o pai, com o árbitro, com os boleiros e até com o fisioterapeuta durante uma partida que acabou perdendo. Em Wimbledon, Pablo Carreño questionou a decisão da arbitragem em relação a uma das idas de Jódar ao banheiro, mas fez questão de esclarecer que não tinha nada contra o espanhol.

Quando um tenista de 19 anos surge de repente com uma potência impressionante, vence partidas improváveis e entra na elite do esporte em questão de meses, imprensa e torcedores inevitavelmente precisam encontrar algo além do tênis para falar. A raquete já não é suficiente.

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