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Zverev, as injeções do ‘doutor milagre’ e o peso das expectativas: “Ele tem que se inspirar em Wawrinka”

Alexander Zverev en Roland Garros | Geoffrey Lowe
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PARIS — Todo mundo concorda: Roland Garros 2026 é o momento de Alexander Zverev.

A lesão de Carlos Alcaraz, a insolação sofrida por Jannik Sinner e o ocaso de Novak Djokovic colocam o alemão no centro de todas as atenções quando o torneio parisiense entra em sua fase decisiva. Mas — e com Zverev sempre há um “mas” — agora ele terá que lidar com o maior de seus fantasmas: o peso de se ver com o mel nos lábios.

Se algo ficou claro nos últimos anos, é que Zverev é um sério candidato ao trono de “melhor tenista que nunca venceu um Grand Slam”. Nessa lista há nomes ilustres como Marcelo Ríos, David Ferrer, Tomáš Berdych, Robin Söderling, Álex Corretja e David Nalbandian.

Bicampeão das ATP Finals, sete vezes vencedor de Masters 1000 e ouro olímpico em Tóquio 2021, Zverev, de 29 anos, jamais levantou um Grand Slam. É um tema que o persegue. Em cada torneio, em cada entrevista, sempre há alguma pergunta sobre essa lacuna.

A vez em que mais chegou perto foi no US Open 2020, sua primeira final de Grand Slam, quando entrou em colapso mental ao se ver às portas do título e desperdiçou uma vantagem de dois sets e uma quebra no terceiro para acabar cedendo por 2-6, 4-6, 6-4, 6-3 e 7-6 (8-6) para Dominic Thiem. Na final de Roland Garros, diante de Carlos Alcaraz, chegou a abrir 2-1 nos sets, mas terminou perdendo no quinto por 6-3, 2-6, 5-7, 6-1 e 6-2. E na final do Aberto da Austrália 2025, a terceira e mais recente até o momento, caiu por 6-3, 7-6 e 6-3 para Jannik Sinner. Nessas três finais, Zverev não foi favorito em nenhuma. Agora, em Paris, com o chaveamento masculino completamente enloquecido, todas as apostas estão a seu favor.

Isso é bom ou ruim?, vieram perguntar ao alemão. “Vou dizer o mesmo que disse há dois dias. Vou me concentrar nas partidas que tenho que jogar. É a única coisa que posso controlar. Me concentrei em De Jong e joguei bem. Agora vou me concentrar em Jódar”, disse Zverev sobre seu adversário nas quartas de final, o espanhol Rafael Jódar, a grande sensação do momento, que chegou aos 19 anos às suas primeiras quartas de um Grand Slam. O confronto está marcado para esta terça-feira no terceiro turno da Philippe Chatrier, a quadra central de Roland Garros.

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“Ele está sob uma pressão incrível agora. Tem mais pressão do que em qualquer outro torneio que já jogou, mais pressão do que em toda a sua carreira”, afirmou neste domingo o grande John McEnroe num debate da TNT Sports. “Sempre digo: é o melhor tenista da história que nunca venceu um Grand Slam, e agora não precisa bater nenhum Alcaraz, Djokovic, Sinner…”

Outro ex-número um como Jim Courier, bicampeão de Roland Garros, falou recentemente sobre a consistência de Zverev e o que o alemão precisaria fazer para finalmente levantar um Grand Slam. “Todos sabemos que o que ele quer é conquistar um Grand Slam. Deveria se inspirar em Stan Wawrinka. Todos nos lembramos que Wawrinka era um jogador muito bom que se tornou um jogador de elite quase aos 30 anos, depois de adicionar potência ao seu direito e de trabalhar o saque com Magnus Norman. No final se tornou tricampeão de Grand Slam. Portanto, é possível. E não acho que ‘Sascha’ vá se aposentar sem conseguir”, disse Courier a um grupo reduzido de veículos de imprensa, entre eles a CLAY.

“‘Sascha’ sabe o que tem que fazer: continuar jogando um tênis decidido e agressivo em todos os momentos. Se conseguir, terá uma chance, porque está se colocando constantemente no que chamamos de fase decisiva desses torneios, a segunda semana. Só precisa se manter lá e aproveitar suas oportunidades.”

 

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As mãos de Müller-Wohlfahrt

Zverev está sendo o tenista mais regular nesta edição do Grand Slam francês: mal perdeu um set e não foi pressionado em nenhum momento. O número três do ranking mundial sempre se moveu muito bem no saibro e, neste ano, apesar das dúvidas com que chegou, as costas lhe dão uma trégua graças às mãos do médico Hans-Wilhelm Müller-Wohlfahrt.

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Batizado de “doutor Milagre” após mais de 50 anos tratando e curando atletas — por sua clínica no centro de Munique passaram lendas como Usain Bolt, Kobe Bryant, Sebastian Vettel e Ronaldo Nazário, além de incontáveis jogadores do Bayern de Munique e da seleção alemã —, Müller-Wohlfahrt sempre defendeu que suas mãos possuem habilidades que não se ensinam na medicina convencional. Algo disso chegou aos ouvidos de Zverev quando, na temporada 2025, as costas o fizeram sofrer. Em dezembro marcaram uma consulta: “Ele me deu 77 injeções em algum lugar e me ajudaram”, disse com um sorriso em janeiro durante o Aberto da Austrália.

Zverev competiu sem nenhum incômodo nas costas nos primeiros meses da temporada. No entanto, durante a temporada de terra batida as dores voltaram. E as injeções também. Depois de Roma, Zverev voltou a Munique para consultar Müller-Wohlfahrt. “Os problemas nas costas começaram no ano passado e passei muito mal. Após os tratamentos de dezembro me senti maravilhosamente bem, mas no torneio de Munique voltou a me incomodar e passei muito mal de novo. Depois de Roma voltei a ver o médico, tive mais duas sessões e, para ser sincero, agora me sinto maravilhosamente bem”, disse o tenista de Hamburgo na véspera de Roland Garros. Dez dias depois, o alemão está diante da oportunidade de sua vida.

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