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“Eu não conseguia entender como Djokovic podia brigar pelos direitos dos jogadores e, ao mesmo tempo, competir para ser o maior de todos os tempos” — entrevista com Federico Coria

Federico Coria
Federico Coria visitó Santiago de Chile durante el Chile Open / FEDERICO CORIA
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Liderar o sindicato dos tenistas e, ao mesmo tempo, continuar batendo recordes para se consolidar como o maior de todos os tempos. O trabalho de Novak Djokovic com a PTPA durante os anos em que ele estava quebrando os recordes de Roger Federer e Rafael Nadal impressiona Federico Coria.

“Sempre que você conversar com um tenista, ele vai falar muito bem do Novak, porque quase todo mundo no tênis sabe ou já viu de perto que ele sempre lutou pelos direitos dos colegas e para que mais pessoas pudessem viver do tênis”, disse Coria em entrevista à CLAY durante o Aberto do Chile, também publicada pela RG Media.

O argentino, ex-número 49 do mundo e um cara que tem uma ótima relação com o sérvio, deu detalhes sobre o trabalho que Djokovic fez dentro da Associação de Tenistas Profissionais (PTPA) e sobre sua saída do sindicato que o 24 vezes campeão de Grand Slam criou e promoveu.

“Eu não entendia: Djokovic estava dedicando energia e comprometimento à causa para que todos nós, jogadores, pudéssemos ter melhores condições. Ele vivia mandando mensagens no grupo do WhatsApp para marcar reuniões e criar mais interesse, ao mesmo tempo em que jogava para ser o maior tenista de todos os tempos”, disse ele à CLAY.

Djokovic Coria
Novak Djokovic e Federico Coria treinaram juntos em Melbourne em 2022, dias antes de o sérvio ser deportado da Austrália.

Coria, 34, atualmente se recuperando de uma lesão no cotovelo, também se uniu ao debate sobre possíveis mudanças na temporada sul-americana de saibro. Ele também deu sua opinião sobre a decisão de Stefanos Tsitsipas de não jogar na América do Sul porque não recebeu uma oferta financeira satisfatória: “Deixe que ele fique com o dinheiro — nós ficaremos com o amor aqui.”

Entrevista com Federico Coria

Existe um debate intenso sobre se a gira sul-americana deveria mudar para quadras duras. Qual é a sua opinião sobre isso? Qual é a sua proposta?

– Se for mudar para quadras duras, então você deveria mudar os torneios europeus e norte-americanos para outubro. Em fevereiro, você mantém a temporada no Oriente Médio — Dubai, Doha e o novo Masters 1000 — e mantém a temporada sul-americana. Não podemos ter três temporadas!

Você foi um dos que pediram publicamente ao presidente da ATP para vir ver os torneios sul-americanos pessoalmente. Você acha que a visita de Andrea Gaudenzi terá efeitos positivos para os torneios em Buenos Aires, Rio de Janeiro e Santiago?

– Sinceramente, espero que ele tenha sentido o impacto das torcidas sul-americanas, das crianças e da importância de termos torneios na região para que o tênis continue crescendo. A América do Sul é extremamente importante para o esporte. Não se trata apenas de negócios imediatos; é preciso ter uma visão de longo prazo, e a região é extremamente importante para o tênis mundial.

Stefanos Tsitsipas reconheceu que não veio para a América do Sul porque não recebeu ofertas financeiras que o convencessem. Ele disse que as garantias influenciam as decisões dos jogadores… O que você acha disso?

– Se eu tiver que dar minha opinião, diria que não gosto dessa postura. Alguns haters podem dizer: “Você nunca recebeu uma oferta financeira para jogar”, mas eu diria ao Stefanos que talvez aqui ele pudesse descobrir um mundo onde encontraria algo que não se pode comprar, algo além do dinheiro — receber o carinho de pessoas de outra parte do mundo, longe de onde ele mora. Acho que Tsitsipas, antes de fazer essa declaração, poderia ter vindo à Argentina, ao Brasil ou ao Chile e talvez tivesse tido uma experiência maravilhosa: jogar em um estádio lotado, com torcedores demonstrando carinho e apoio. Os sul-americanos são assim — muito apaixonados e vivem o tênis intensamente. Ontem assisti Cris Garín contra Juanma Cerúndolo e é uma experiência diferente. Então, se ele não vier, vai perder. Deixe que ele fique com o dinheiro — nós ficaremos com o amor.

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Novak Djokovic não teve o apoio necessário na PTPA e acabou se afastando de algo que ele mesmo criou. Você acha que as novas gerações não se preocupam com esse trabalho? Elas não estão interessadas em lutar por melhores condições para seus colegas?

– Sua saída da PTPA aconteceu em um momento em que eu estava afastado havia muitos meses devido a lesões e um ranking ruim, então acabei esquecendo de perguntar exatamente o que aconteceu. Claramente havia coisas de que ele não gostava, ou ele sentiu que não recebia apoio, ou simplesmente ficou cansado. Mas eu mesmo vi — ninguém me contou — ele sempre se esforçou muito nessa causa. Não entendia como ele conseguia dedicar tanta energia a essa causa para que todos nós, tenistas, pudéssemos ter melhores condições, ao mesmo tempo em que competia para ser o maior tenista de todos os tempos.

Muito dedicado?

– Sempre que você conversa com um tenista, ele fala muito bem do Novak, porque quase todos no tênis conhecem ou já tiveram alguma experiência com ele lutando pelos direitos dos jogadores e para que mais pessoas possam ganhar a vida com esse belo esporte.

As grandes estrelas — nem Sinner, nem Alcaraz, nem Swiatek, nem Sabalenka — ficam muito animadas com os assuntos do sindicato. Será que isso também explica o desencanto de Djokovic?

– Politicamente, teríamos que ver o que faltava para a PTPA crescer. Também sinto que a ATP tem feito um bom trabalho, mas provavelmente também pressionada um pouco pela pressão que Djokovic gerou. Talvez Djokovic tenha visto que as coisas no circuito estavam melhorando e tenha dito: “Ok, para mim já basta”. Você teria que perguntar às pessoas envolvidas para saber o que realmente está acontecendo.

O que melhorou?

– Os prêmios em dinheiro continuam aumentando e mais jogadores podem começar a viver do tênis, enquanto outros não estão perdendo mais tanto dinheiro. Portanto, é possível observar uma pequena melhora nos últimos anos.

Você acha que o domínio de Sinner e Alcaraz poderia criar o efeito oposto ao que as pessoas esperam? Que os fãs possam se entediar com eles ganhando o tempo todo?

– Não, porque as pessoas adoram rivalidades. O tênis sempre funcionou assim: Sampras–Agassi, Federer–Nadal. Então chegou o terceiro vilão, Djokovic. Os fãs de Federer e Nadal eram rivais ferrenhos, e de repente eles uniram forças e tudo se voltou contra Djokovic. Agora serão Alcaraz–Sinner, e esperamos que apareça um terceiro… bem, o terceiro na história atual ainda é Djokovic. E no dia em que Djokovic não estiver mais lá, esperamos que apareça outro. Mas essas rivalidades são necessárias. As pessoas sentem falta delas quando elas acabam.

 

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E quem você gostaria de ver como essa terceira figura?

– Pelo que vi no ano passado, Fonseca parecia um futuro jogador do Top 5. Ao vê-lo jogar contra Rublev na Austrália (2025), você pensou: “De onde veio esse alienígena?” Tive a mesma sensação quando vi Alcaraz pela primeira vez. Este ano, ele começou um pouco travado, mas está em uma fase em que está amadurecendo e aprendendo a lidar com a pressão de um país tão grande como o Brasil. Mas acho que ele tem muitas qualidades para entrar nessa disputa, e seria ótimo ter o tênis sul-americano nessa posição.

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Qual jogador você considera que seja completamente subestimado — alguém que você acha muito bom, mas que não atrai muita atenção?

– Alejandro Tabilo pode fazer grandes coisas. Na minha opinião, ele precisa continuar assim, continuando a bater na bola de forma agressiva. Porque quando ele faz isso, ele é um ótimo jogador… e tem a vantagem extra de jogar bem em todas as superfícies. Ele já derrotou Djokovic duas vezes e isso… você pode derrotá-lo uma vez por sorte, se alguém quiser chamar isso de sorte, mas duas vezes? Ele pode se tornar um jogador muito melhor do que já é.

Por que o golfe atrai tantos jogadores de tênis? Ele também te conquistou?

– Eu tenho cotovelo de golfista e nunca peguei num taco de golfe. Mas sim, é verdade que os jogadores de tênis estão desesperados para jogar golfe nos torneios. Agora estamos em Indian Wells, que é um torneio muito favorável ao golfe, porque há campos incríveis e todos ficam loucos para jogar. Eu nunca fui contagiado por esse bichinho. Se eu estivesse bem de saúde, talvez fosse jogar um pouco de padel. Golfe, não.

Qual tenista você escolheria para sair para uma balada?

– Ah… Eu me aposentei das baladas há anos. Mas, a julgar pelo perfil, uma noite com Kyrgios deve ser muito divertida.

E antes de se aposentar da vida noturna, você tem alguma história memorável?

– Não, porque eu não estava no mundo das estrelas. Eu estava no mundo dos Futures, tentando sobreviver… naquela época, eu nem tinha dinheiro para sair!

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