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“No vestiário, Sinner é divertido, diferente do que aparenta” – entrevista com Luciano Darderi

Luciano Darderi
La selfie: Luciano Darderi antes de jugar el Chile Open / LUCIANO DARDERI
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SANTIAGO, Chile – Se você pensa que Jannik Sinner é um cara frio, introvertido e sério, está enganado. O italiano Luciano Darderi destrói esse mito: “Ele é gente boa, diferente do que aparenta”.

“Jannik é um cara legal, tem uma ótima família, faz piadas e tudo mais. Mas quando treinamos, ele é focado. Uma vez a gente treinou em Dubai e ele ficou duas horas sem dizer uma palavra. Isso faz parte dele como profissional, não é nada pessoal. No vestiário, ele é muito engraçado”, revelou Darderi em entrevista à revista CLAY durante o Chile Open.

“Alcaraz e Sinner são dois aliens. Eles jogam numa velocidade altíssima. Eles te obrigam a elevar o seu nível”, disse o jogador de 24 anos, nascido na Argentina, que joga pela Itália desde os 12 anos.

Seu sonho para esta temporada é entrar no Top 10 — ele está a onze posições disso — e jogar pela Itália na final da Copa Davis, em novembro, em Bolonha.

Javier Frana, capitão da Argentina, manifestou o desejo de ter Darderi no time; no entanto, o objetivo do jogador é claro: “Quero jogar pela Itália. A Copa Davis é disputada em quadra dura coberta, e eu jogo melhor em quadra dura. Espero ter um bom desempenho nessa superfície para que eles me convoquem.”

— Você está à um passo do Top 20 e no melhor ranking da sua carreira.

— Foi uma meta que estabelecemos para o final do ano e já estamos quase alcançando. Não imaginava que as coisas seriam tão boas na Austrália, principalmente na quadra dura, então estou muito feliz. Temos feito um trabalho muito bom. Agora é só fazer acontecer, entrar no Top 20, certo?

— Você é o número 4 da Itália, disputando lado a lado com Flavio Cobolli o terceiro lugar. No final do ano, a Itália sedia a final da Copa Davis. Você sonha em estar lá, defendendo seu país pela primeira vez nessa competição?

— Eu adoraria. Só que é difícil, porque são muitos jogadores, né? Além de Sinner, Musetti e Cobolli, há também Berrettini, Sonego, Arnaldi — há cinco ou seis jogadores muito bons. Os jogadores de duplas são excelentes, Bolelli, Vavassori… então é complicado. A Copa Davis é disputada em quadra dura coberta, e é onde jogo melhor. Espero jogar bem para que eles possam me convocar.

— E você viu que na Argentina eles tinham esperança de ter você de volta? O capitão Javier Frana manifestou o desejo de que você voltasse a defender a Argentina. Depois, seu pai deixou isso em aberto. Como você lidou com essa situação?

— Para ser sincero, não ligo muito para isso. Procuro me concentrar nas minhas coisas. Jogo pela Itália e ponto final.

— Como é sua relação com seus colegas italianos?

— Eu os conheço desde os 10 anos, temos uma relação de mais de 14 anos. Estamos juntos em todos os torneios, então é algo comum. Temos uma boa relação. Também tenho uma boa relação com os argentinos, porque os conheço desde a infância, viajando pelo mundo participando de torneios.

Luciano Darderi Flavio Cobolli
Luciano Darderi e Flavio Cobolli em 2020 / FOTO SPAZIO TENNIS

— Como é Jannik Sinner nos bastidores, no vestiário? Visto de fora, ele parece muito focado, um pouco frio.

— Ele é simpático, não é o que aparenta. É um cara legal, de boa família, muito tranquilo, faz piadas e coisas assim. Obviamente, quando estamos jogando ou treinando, ele é focado. Uma vez treinamos em Dubai e, durante duas horas, ele não disse uma palavra. Mas isso é apenas profissionalismo, nada pessoal. No vestiário, ele é superdivertido. Jannik é muito gente boa.

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— Vocês se enfrentaram pela primeira vez em Melbourne. O que mais te impressionou sobre ele?

— É, foi difícil. Sinner e Alcaraz estão um pouco acima de todos os outros… um pouco mais do que um pouco! No momento, esses dois são intocáveis. Sinner perdeu para Mensik — a única derrota em dois ou três anos para alguém que não fosse Alcaraz ou Djokovic. Isso mostra o nível deles. Naquela partida, eu estava bem tenso no começo, mas fui relaxando e acabei jogando muito bem. No terceiro set, tive a chance de levar a partida para o tie-break, tive cinco break points, estava ganhando por 2 a 0 no tie-break… você nota que eles te dão pequenas chances, mas se você não aproveitar, perde. Eu gostaria de ter jogado mais um ou dois sets, ou de ter vencido, mas é bem difícil. Eles estão sempre um nível acima, sempre batendo na bola alto, jogando muito rápido. Isso me motiva, pelo menos, a tentar chegar perto desse nível, a tentar competir em igualdade de condições, a dar o meu melhor. Eles te forçam a subir o seu nível e, como resultado, o seu ranking melhora.

— Cobolli teve uma ascensão rápida e em pouco tempo. Vocês têm mais ou menos a mesma idade.

— Ele também é um grande talento que explodiu em um momento chave na carreira. Quando começou a jogar Challengers, ele melhorou seu nível, mais ou menos na mesma época que eu. Nós participamos de muitos torneios juntos e ele é um cara legal. Eu o conheço muito bem. No meu primeiro torneio, quando eu tinha nove anos, jogamos um contra o outro na Itália. Estamos juntos desde pequenos. Jogamos muitos campeonatos juvenis. Conheço muito bem seu pai e sua família. Vamos jogar duplas juntos este ano em Monte Carlo.

Jannik Sinner
Jannik Sinner, campeão em Wimbledon

— Fora a sua relação com os italianos e os sul-americanos, você acha que o ambiente no circuito é bom? No passado, com Agassi e Sampras, ou mais anteriormente com McEnroe e Connors, as rivalidades eram mais acirradas. Dizem que Federer e Nadal mudaram isso. Como você avalia o circuito atualmente nesse sentido?

— Eu considero mais profissional. Vejo todos mais focados em suas próprias carreiras, porque o nível do tênis é muito alto. Você precisa prestar atenção em tudo: alimentação, fisioterapia, descanso, treinar direito, estar sempre 100%, porque o nível subiu demais em pouco tempo. Hoje em dia, todo mundo viaja com um preparador físico, fisioterapeuta, treinador, nutricionista, psicólogo. As equipes são maiores do que costumavam ser e isso faz com que todos fiquem mais isolados em seus próprios grupos.

— Como você compara o nível dos jogadores entre a 21ª e a 30ª posição com o dos 20 melhores? E com os 10 melhores?

— Há uma diferença clara em todos os aspectos: mental, físico e tenístico. Nos momentos importantes, os melhores jogam bem. Eles não baixam tanto o ritmo, não têm tantas oscilações quanto os demais jogadores. O ranking não mente e recompensa os jogadores mais consistentes ou aqueles que tiveram um grande salto. A consistência é muito importante. Também existem os jogadores que talvez vençam um Masters 1000 e depois percam muitas primeiras rodadas, mas acho que são poucos. Estatisticamente, os 20 melhores são mais sólidos.

Luciano Darderi en Santiago de Chile
Luciano Darderi em Santiago do Chile / SEBASTIÁN VARELA

— Qual região merece mais um Masters 1000? O Oriente Médio ou a América do Sul?

— A América do Sul. Nós merecemos um aqui. A América do Sul tem entre 10 e 15% dos top 100 jogadores.

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— Você acha que a gira sul-americana deveria migrar para quadras duras?

— Não, não acho. Seria impensável não ter torneios no saibro na América do Sul. Faz quanto tempo que a gira sul-americana no saibro existe? Mudar isso não faz sentido. É a minha opinião. Mas não sou eu quem toma essas decisões.

— Como foi jogar na Argentina? Você chegou à final do ATP 250 de Buenos Aires. Por um lado, você tinha sua família e amigos nas arquibancadas. Por outro, sempre há aqueles que não te perdoam por você jogar pela Itália.

— Não, nada. Na verdade, tenho muitos amigos e familiares lá. Me senti muito bem, de verdade. Jogar lá foi especial para mim, porque foi onde treinei quando era criança. E aqueles que torcem contra mim, sinceramente, não me importo. Estou sendo honesto — não faz diferença para mim.

— Um sonho para 2026?

— Entrar no Top 10.

— E o que precisa acontecer para que isso se torne realidade?

— Várias coisas. Muita consistência, nenhuma lesão, bons torneios, aproveitar as oportunidades, fazer o que é certo e ter um pouco de sorte.

— Em que você tem trabalhado em particular no seu jogo? Existe alguma jogada que precise melhorar?

— O ataque. Atacar mais para conseguir ganhar na quadra dura, que é fundamental hoje em dia. Durante o ano, existem mais torneios em quadra dura do que no saibro. Acho que é isso que vai elevar o meu nível para chegar ao Top 10. É claro que vou ter uma boa sequência no saibro, o que também pode ajudar.

Darderi Cerúndolo
Francisco Cerúndolo e Luciano Darderi durante a cerimônia de premiação do Aberto da Argentina 2026 / ARGENTINA OPEN

— Qual é a sua opinião sobre Musetti? Ele tem chegado perto de grandes finais recentemente, mas tem tido problemas físicos.

— Concordo, é difícil. Fisicamente e mentalmente, porque não é apenas físico, é mental também. O aspecto mental também afeta o físico. Musetti é o número 5 do mundo. À sua frente estão Alcaraz e Sinner, que são dois alienígenas, Djokovic, que é uma lenda, e Zverev. Musetti, como todos, é mais fácil de jogar contra do que Sinner e Alcaraz, porém tem uma ranking incrível. Chegar nesse nível — semifinais de Grand Slam, final de Masters 1000 — representa um padrão extremamente elevado.

— Faz alguns anos, o coaching passou a ser permitido no tênis. Algumas pessoas criticam, porque acham que o que tornava o tênis especial era o fato de o jogador ter que resolver tudo sozinho. Você acha que permitir que os treinadores passem instruções durante as partidas foi uma boa decisão?

— Sim, claro. Acho que foi uma decisão importante. Obviamente, você joga sozinho na quadra, e é você quem toma as decisões durante a partida. Mesmo que o treinador diga uma coisa ou outra, isso pode ajudar. É para isso que o treinador está lá. Caso contrário, por que levá-lo? Apenas para assistir à partida? Faz sentido que, mesmo que seja apenas durante as trocas, eles possam conversar com você. Você tem um minuto nessa troca para organizar as ideias. Aí, na quadra, é você quem decide e faz as escolhas certas. Mas quando você treina algumas coisas, essa ajuda pode ser útil quando você entra em quadra. Acho que isso é importante.

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