MADRID – Quando Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero anunciaram o fim da parceria em meados de dezembro, logo surgiram vários nomes sobre quem ocuparia o lugar de técnico do número um. Carlos Moyà, David Ferrer, Andy Murray… até Roger Federer ou Rafael Nadal. Mas poucos, muito poucos, achavam que Samuel López seria a escolha definitiva.
Quiseram arranjar vários ex-tenistas profissionais para ser meu técnico. Não acho justo. Samuel, por não ter sido número um, por não ter sido um tenista profissional de ponta, talvez não seja valorizado como realmente deveria”, defendeu Alcaraz após sua estreia vitoriosa no Aberto da Austrália.
“Samu é um dos melhores, se não o melhor técnico do mundo atualmente, e acredito que ele mereça ser reconhecido, pois contribui com coisas que nenhum outro técnico hoje em dia é capaz de contribuir”, acrescentou.
Para aqueles que não acompanham o tênis de perto, Samuel López pode ser um desconhecido. Já para aqueles que acompanham, Samuel López talvez seja um dos técnicos mais competentes do circuito. Seu currículo fala por si: ele pode se orgulhar de ter levado dois jogadores ao top ten mundial em uma época em que a disputa pelos primeiros lugares era mais acirrada do que nunca.
Nicolás Almagro, nascido em Murcia como Alcaraz, chegou ao número 9 da ATP em maio de 2011, atrás apenas de Rafael Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic, Andy Murray, Robin Soderling, David Ferrer, Tomas Berdych e Jürgen Melzer. Anos depois, em setembro de 2017, Pablo Carreño alcançou o décimo lugar em um ranking no qual só tinha à sua frente Nadal, Federer, Murray, Alexander Zverev, Marin Cilic, Djokovic, Dominic Thiem, Stan Wawrinka e Grigor Dimitrov. Não existem coincidências em um esporte tão exigente e cruel como o tênis.
“São poucos os treinadores que conhecem o circuito tão bem quanto Samu. Talvez Ferrero seja mais conhecido por ter sido o número um, mas Samu tem muito mais experiência no circuito”, destacou à CLAY uma pessoa que convive diariamente com Alcaraz. Ele não está errado: na verdade, Samuel López foi, no início de sua carreira, membro da comissão técnica de Ferrero, que era liderada por Antonio Martínez-Cascales. Há mais de duas décadas ele viaja pelo mundo participando dos maiores torneios.
Samuel é humilde, trabalhador e discreto, mas ao mesmo tempo sabe muito de tênis e tem uma bagagem incrível, porque já trabalhou com jogadores muito bons. Não tenho nenhuma dúvida de que fará um grande trabalho ao lado de Carlos”, respondeu em entrevista à CLAY Marc López, ex-treinador de Rafael Nadal e Jasmine Paolini.
“Quando falamos de Carlos Alcaraz, estamos falando de algo muito grande, mas não podemos esquecer que Nico Almagro e Carreño foram top 10. Quando alguém treina jogadores desse nível, é porque tem qualidade. Caso contrário, Juan Carlos não teria se cercado de Samuel para formar um tándem e conduzir a carreira de Carlos. Ele é alguém super preparado, super capacitado para esse novo desafio, e tenho certeza de que tudo vai dar muito certo”, acrescentou o medalhista de ouro olímpico em duplas no Rio 2016.
Nascido em Alicante em 1970, Samuel López sempre esteve ligado ao tênis. Com apenas 20 anos, ajudou Martínez-Cascales a criar em Villena a academia Equelite, que hoje é a Juan Carlos Ferrero Academy, berço de grandes tenistas como Ferrero, Carreño, Almagro, Alcaraz, Ferrer e Guillermo García-López. Como membro da equipe técnica, ele ajudou todos esses jogadores pontualmente e também fez carreira solo com Almagro e Carreño.

Ainda como treinador de Carreño, em 2023 Samuel López passou a viajar de vez em quando com Alcaraz. Carreño estava com uma lesão bem complicada no cotovelo naquela época e Ferrero precisava de alguém em quem pudesse confiar totalmente. Sua estreia foi em Queen’s 2023 e Alcaraz ficou com o título. Foi um bom sinal. Em 2024, Samuel López chegou a ser o técnico principal de Alcaraz no Aberto da Austrália, torneio que Ferrero não pôde acompanhar devido a uma cirurgia no joelho.
Magro feito um pau e amante da pintura — ele chegou a expor algumas de suas obras —, Samuel López sempre teve um perfil mais discreto. Não fala mais do que o necessário, nunca se envolve em polêmicas, está sempre sorridente e com os pés no chão. No entanto, até agora, ele não havia estado sob os holofotes e o julgamento constante. E como técnico de Alcaraz, como técnico do melhor tenista do planeta, ele vai atrair cada vez mais atenção. De acordo com as pessoas próximas a ele, Samuel encara isso com total naturalidade.
“Samu é um cara muito trabalhador, muito humilde. O mais importante é que Carlos está super motivado com ele, o que no final das contas é o que importa”, disse uma pessoa próxima a Alcaraz à CLAY. “Samu não é tão exigente quanto Ferrero, mas nem por isso vai dar moleza. Tudo vai dar certo porque Samu é um cara muito sério no trabalho, muito meticuloso, taticamente muito bom e sabe ler o jogador. Além disso, é próximo e humilde. E essa combinação é perfeita para Carlitos”.





