SANTIAGO, Chile — O tesouro mais importante do esporte chileno chegará pela primeira vez ao seu país. Em outubro aterrissará em Santiago o troféu que Anita Lizana conquistou em 1937 em Nova York, o único título de Grand Slam na história do Chile. Chegará pelas mãos da família Lizana e da CLAY.
A 32 anos de sua morte, a família da lendária tenista decidiu doar o troféu ao Chile para expandir o legado de Lizana às novas gerações. O objetivo é que os jovens se inspirem com o exemplo da tenista e seu notável triunfo no West Side Tennis Club de Forest Hills, sede então do Campeonato Nacional dos EUA e antecessor do atual US Open.

“Gostaríamos de ver que o troféu sirva de inspiração para as mulheres e as meninas que jogam tênis, para todos os chilenos”, disse Carol Ellis Lizana (77), filha mais nova da tenista, numa extensa entrevista com a CLAY em sua casa em Gunnislake, a 350 quilômetros a oeste de Londres.
“É uma grande coisa para o Chile e para a América do Sul que o troféu esteja lá. Isso representa sua lenda. Nossa mãe teria ficado muito feliz”, acrescentou Ellis.
A façanha de Lizana em um dos torneios mais importantes do mundo, 89 anos atrás, marca um feito que não foi igualado por ninguém de seu país. É também uma referência importante na história do feminismo no Chile: Lizana triunfou internacionalmente quando no Chile nem mesmo as mulheres tinham direito ao voto.
Quando venceu em Nova York, Lizana já projetava sua vida na Europa, onde se casou e fez sua vida até seu falecimento em 1994: paradoxalmente, o troféu que tem seu nome gravado jamais pisou o Chile.
Em meados de outubro será marcado o acontecimento histórico para o país de Lizana: da Inglaterra, sua família trará a relíquia a Santiago. A CLAY organizará o evento para celebrar um acontecimento de alto valor patrimonial e simbólico para o Chile: o único Grand Slam, finalmente em sua terra.

Um documentário produzido pela CLAY no Reino Unido e nos Estados Unidos aprofundará esta história e será exibido nas telas e plataformas da CNN Chile e da CLAY. Imagens inéditas permitirão entender a magnitude do triunfo de Lizana e o valor de que o troféu permaneça no Chile como testemunho vivo de seu legado.
“O troféu não é meu, não é da minha família. É da minha mãe Anita. Ela estaria muito feliz em saber que chega ao seu país. Isso tem muito mais valor para o povo chileno, é muito melhor do que ficar guardado em nossas casas”, explicou a filha da número um do mundo em 1937, segundo o que indicavam os rankings não oficiais daquela época amadora do esporte.
O valor do troféu aumenta ao olhar para a história do tênis num plano mais amplo.

Lizana foi a primeira pessoa latino-americana a vencer um Grand Slam; foi ainda a primeira jogadora nascida fora dos Estados Unidos, da Europa e da Austrália a consegui-lo.
Até hoje, são apenas três as tenistas mulheres que alcançaram a glória em qualquer um dos quatro eventos mais importantes do tênis: à chilena se somou a brasileira Maria Esther Bueno, tricampeã de Wimbledon e quatro vezes vencedora em Nova York nos anos 1960; e a argentina Gabriela Sabatini, que venceu o US Open de 1990.





