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Fonseca e a vitória de que precisava: cabeça e coração em meio a uma onda de calor para agora enfrentar Djokovic

Joao Fonseca en pleno partido contra Dino Prizmic en Roland Garros / GEOFFREY LOWE
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PARIS – A temporada de João Fonseca vinha sendo tão árida e difícil que, provavelmente, o brasileiro se lembrará por muito tempo do que conquistou nesta quarta-feira de calor infernal em Paris: reverter uma desvantagem de dois sets a zero com um tênis que combinou cabeça e coração em partes iguais para chegar à terceira rodada de Roland Garros e desafiar Novak Djokovic, o tenista mais bem-sucedido de todos os tempos.

Em circunstâncias normais, o croata Dino Prizmic, de 20 anos e 72º no ranking mundial, não deveria ser um adversário que Fonseca, 30º no ranking, temesse. Mas o ano de 2026 do brasileiro é muitas coisas, exceto normal: Fonseca está sentindo a pressão crescente que recai sobre ele em seu país, a necessidade de “ganhar tudo”, como explicou à CLAY um compatriota, o jogador de duplas Marcelo Demoliner.

Assim, a vitória de Fonseca, 28º cabeça de chave do torneio, por 3-6, 4-6, 6-3, 6-1 e 6-2 sobre Prizmic, é um marco em seu 2026, talvez um antes e um depois. Não seria lógico esperar que ele derrotasse Djokovic, mas também não era que perdesse para o croata.

A quadra 14, na extremidade do complexo de Roland Garros, estava lotada, com centenas de brasileiros cantando e torcendo pelo seu jogador, mas também uma boa quantidade de balcânicos torcendo por Prizmic. Muitos deles chegavam cobertos por uma fina camada de água após passarem pelas chuveiras de névoa nas proximidades, em mais um dia de temperaturas extremas na Europa.

João Fonseca, durante um intervalo na intensa tarde quente de 27 de maio de 2026 em Roland Garros / GEOFFREY LOWE

Prizmic joga tudo ou nada, com golpes que não buscam sutileza, mas sim explodir a bola. Durante dois sets, Fonseca não encontrou a fórmula para o croata, até que um ponto mudou tudo.

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Estava em jogo o segundo ponto do quarto game do terceiro set, e Fonseca estava decidido a ganhá-lo, mas não de qualquer jeito: o brasileiro encaixou um backhand invertido com sidespin, um forehand invertido com top spin e uma furiosa bola de forehand paralela ao ângulo para ganhar o ponto.

Foi o renascimento de Fonseca, pois pouco depois Prizmic mandou uma direita para fora com o brasileiro já derrotado. Ele tentou acertar com toda a potência que sua raquete permitia e acabou perdendo o ponto, o game e o set. E, no fim das contas, a partida.

No final, enquanto as arquibancadas continuavam a aplaudi-lo, Fonseca escondeu o rosto em uma toalha e deu vazão às suas emoções: ele havia conquistado muito mais do que uma partida.

Djokovic está ciente da dificuldade do desafio de sexta-feira: “Seu potencial e sua qualidade como jogador são óbvios, não há dúvidas disso, e ele tem torcedores brasileiros onde quer que vá. É um jogador de grandes palcos, adora grandes ocasiões, as partidas noturnas”.

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