Novak Djokovic continua em busca de uma revolução no tênis. Chega de partidas intermináveis ou sets de seis games. A ideia é sacudir as estruturas para evitar que o esporte seja esquecido pelas novas gerações.
“Deveríamos mudar o formato. Em vez de seis games por set, jogar até quatro. Talvez sem vantagem, em melhor de cinco sets e limitando as partidas a uma janela de duas horas. Acho que seria melhor para todos”, disse o sérvio a Nick Coutracos durante o Fanatics Fest.
A declaração do dono de 24 títulos de Grand Slam é uma bomba midiática, mas também reforça uma posição que ele vem defendendo há anos. O maior vencedor da história quer ser um revolucionário não apenas dentro de quadra, mas também fora dela.
Já em 2016, quando era o número 1 do mundo e dominava completamente o circuito, ele abriu espaço para possíveis mudanças na estrutura do esporte.
“Uma das dificuldades é que nunca se sabe quanto tempo uma partida vai durar nem quando ela será disputada. Acho que seria favorável a mudanças, porque isso facilitaria muito a comercialização do produto”, afirmou há dez anos, durante o Masters 1000 de Xangai.
Naquela ocasião, porém, seu discurso tinha mais nuances.
“Ouvi falar sobre encurtar os sets, jogar até quatro games. Também existe a International Premier Tennis League (liga de exibição disputada entre 2014 e 2016), que não tem vantagem, não há let e há um cronômetro entre os pontos. Algumas dessas regras merecem ser consideradas, outras não.”
Dez anos depois, o discurso ficou mais firme. Nole não apenas passou a apoiar a maioria dessas mudanças, como também deixou claro que está disposto a defendê-las, independentemente do quanto de hate possa receber por isso.
A “revolução Djokovic” se explica pelo fato de que, na última década, a ATP aumentou a exigência sobre os jogadores. Um calendário mais longo e Masters 1000 disputados ao longo de duas semanas passaram a fazer parte da rotina do circuito.
“Entendo perfeitamente os jogadores que reclamam do pouco tempo que podem passar em casa. Eu também não gosto disso. Acho que o tênis precisa de uma reformulação em grande escala. O circuito deveria repensar os formatos, as regras e o calendário”, havia antecipado durante este Wimbledon.
Para Djokovic, a situação é clara: o tênis muda ou vai morrer.
Quando ainda liderava a PTPA (Associação dos Tenistas Profissionais), ele encomendou um estudo que mostrou que a idade média do fã de tênis era de 61 anos.
“Os jovens talvez assistam aos Grand Slams, mas não vão ficar sentados quatro ou cinco horas por dia diante de uma partida. A capacidade de atenção mudou e precisamos entender como funciona o mercado atual. Os torneios do circuito deveriam experimentar formatos mais dinâmicos, partidas mais curtas e propostas mais atrativas para o público”, afirmou.
Há um ano, Djokovic chegou a defender que o tênis observasse outros esportes para melhorar a experiência dos fãs.
“Deveríamos tentar nos conectar mais com os jovens e atraí-los. Quero ver mais entretenimento. Por que não pensamos em fazer algo durante os sets, como acontece na NBA ou no Super Bowl? Gostaria que houvesse mais elementos de diversão e entretenimento no tênis, um esporte que sabemos ser bastante tradicional e conservador em alguns aspectos”, declarou durante o Australian Open de 2025.
Todas essas propostas são voltadas aos torneios da ATP, deixando os Grand Slams de fora. Para Djokovic, os quatro eventos mais importantes do tênis não devem ser alterados, já que ele se define como um defensor de “sua grandeza e história”.





