LONDRES — Marta Kostyuk, a número 1 da Ucrânia, atacou o Comitê Olímpico Internacional (COI) por permitir que atletas russos e bielorrussos compitam nos Jogos de Los Angeles 2028.
“É terrível”, disse a ucraniana logo após avançar às semifinais de Wimbledon 2026.
“Acho que está muito, muito longe do fair play para todos os países envolvidos, não apenas para a Ucrânia. Discordo 100% desta decisão. Muitas pessoas se manifestaram sobre o assunto — obviamente elas também não concordam. Não acho que algo vai mudar. Só quero entrar em quadra e, com sorte, vencer cada russa que enfrentar nas Olimpíadas, e só isso”, disse a número 13 do mundo após vencer a italiana Jasmine Paolini por 6-3 e 6-2.
O COI levantou provisoriamente a suspensão imposta ao Comitê Olímpico Russo, em vigor desde 2023 após a invasão russa da Ucrânia. Os atletas russos agora poderão participar representando seu comitê nos próximos Jogos Olímpicos e nas edições futuras do evento a ser realizado na Califórnia.
“Queríamos garantir que todos os atletas tivessem a possibilidade de competir nos Jogos Olímpicos e não fossem responsabilizados pelas ações de seus governos”, declarou Kirsty Coventry, presidente do COI.
A ex-nadadora zimbabuana acrescentou que os protocolos sobre hino e bandeira para atletas russos e bielorrussos — também banidos de todos os eventos de tênis — serão revisados no futuro.
Kostyuk disse que fará tudo o que for possível para mudar a decisão do COI.
“Tenho certeza de que vamos fazer algo a respeito. Definitivamente não vou fazer isso antes da minha partida de semifinal. Talvez possa falar mais sobre isso no US Open, ou quando tiver tempo para conversar com a equipe, com as meninas, com o governo também — ver o que vamos fazer. Por enquanto, não é algo em que estou focada”, disse à mídia no All England Club.
Kostyuk disputará uma semifinal de Wimbledon pela primeira vez em sua carreira. Na quinta-feira ela enfrenta a tcheca Linda Noskova por uma vaga em sua primeira final de Grand Slam.
Na segunda-feira, a Rússia lançou uma devastadora enxurrada de mísseis e drones sobre Kiev, matando pelo menos 24 pessoas e ferindo mais de 100 no segundo grande ataque à capital em uma semana.
A tricampeã de títulos WTA falou sobre como tem lidado com os ataques durante sua bem-sucedida campanha em Wimbledon: “Não é fácil se desconectar completamente. Foi muito difícil para mim na semana passada, quando o primeiro grande ataque aconteceu.”
“Depois, na segunda-feira, destruíram quatro ruas de prédios residenciais — a cinco quilômetros de onde meus pais moram. Mais uma noite difícil, e muitos mortos, pessoas inocentes, crianças. Não é fácil. Tento estar ciente de tudo o que está acontecendo, e claro que tento que essas coisas não me influenciem demais. Cada dia é diferente. Vou lidando conforme vem.”





