MELBOURNE – João Fonseca não teve dias tranquilos com o problema nas costas desde que chegou à Austrália. No entanto, os problemas na lombar estão lhe ensinando uma lição valiosa neste início de temporada.
“É ruim não ter conseguido jogar torneios antes do Australian Open, mas tento ver o lado positivo: percebi que era importante entender melhor meu corpo, especialmente agora, neste início de carreira” – afirmou o brasileiro em conversa com a CLAY e o L’Équipe.
“Às vezes, quando você está lesionado, não adianta correr riscos para não piorar as coisas. Tem que saber quando jogar e quando não jogar. Essas primeiras semanas da temporada foram importantes porque pude parar e refletir sobre isso” – disse o tenista de 19 anos.
Fonseca disse que está se sentindo melhor antes de sua quinta participação em um Grand Slam. Em Melbourne, ele enfrentará o norte-americano Eliot Spizzirri e, mesmo chegando sem ter disputado nenhuma partida oficial por ter desistido dos torneios ATP 250 em Brisbane e Adelaide, ele fez treinos intensos no Melbourne Park. “Estou ficando mais forte”, disse ele.

O atual campeão de Buenos Aires e Basileia revelou recentemente que nasceu com um problema nas costas. “Há dias em que sinto mais dor do que outros. Sofri uma fratura por estresse há cinco anos, e sei que isso é algo que sempre vai fazer parte da minha vida, então tenho que aprender a conviver com isso”, explicou.
Seus objetivos no primeiro Grand Slam da temporada?
“Jogar meu tênis, fazer o que treino todos os dias e tentar conseguir bons resultados ganhando partidas sólidas”, disse Fonseca.
Roger Federer, no entanto, queria ouvir uma resposta mais ambiciosa.
“Acho que todo mundo que participa do torneio tem que vir aqui e dizer: quero ganhar o Aberto da Austrália. Espero que o João tenha essa mentalidade, pra ser sincero”, disse o ex-número 1 do mundo na quinta-feira em Melbourne, antes de elogiar o tênis e a personalidade do tenista sul-americano.
Fonseca continua achando surreal que seu maior ídolo fale sobre ele.
“É incrível quando o seu ídolo fala bem de você. Só o fato de ele saber quem eu sou já é surreal. Isso me dá motivação para continuar. Eu já o conheci pessoalmente e passamos um tempo juntos, mas, mesmo assim, quando estou no vestiário e ele passa por mim, eu fico nervoso. Minha mão treme porque… é o Roger!”, admitiu.
“Eu sei o que o pessoal está falando. Eu escuto, eu leio: ‘Será que ele vai ser o próximo Sinner ou Alcaraz?’”, disse ele em entrevista ao The Guardian.
“Não tem como saber o que vai acontecer no futuro. É difícil prever. Mas estou me esforçando bastante e focando só no que preciso fazer para chegar lá.”





