MELBOURNE – Carlos Alcaraz vai disputar seu primeiro Grand Slam em Melbourne sem o técnico que esteve ao seu lado durante toda a carreia profissional. Na Austrália, o número 1 do mundo disse que sua relação com Juan Carlos Ferrero chegou ao fim de forma natural.
“É um capítulo da vida que tinha que se encerrar”, disse Alcaraz à imprensa.
“Aprendi muito. Provavelmente, graças a ele, sou o jogador que sou hoje. Sou muito grato por esses sete anos”, disse o seis vezes campeão de Grand Slam sobre seu trabalho com Ferrero, que começou a treiná-lo quando Alcaraz tinha apenas 15 anos e foi demitido repentinamente em dezembro passado.
“Encerramos esse capítulo de comum acordo. Continuamos amigos, temos um bom relacionamento, mas acabamos decidindo dessa forma” acrescentou.
No entanto, as palavras de Alcaraz na Austrália não correspondem totalmente à versão dada pelo campeão de Roland Garros de 2003, que foi categórico quando a separação se tornou pública: “Eu gostaria de ter continuado”.
“Eu me dediquei de corpo e alma a este projeto. Estou chateado”, admitiu Ferrero em entrevista ao Marca dias após a separação.
Será que a separação foi motivada pelas convicções do próprio jogador ou foi influenciada por seu pai e outros membros de seu círculo íntimo? CLAY perguntou a Alcaraz durante a coletiva de imprensa antes do primeiro Grand Slam da temporada.
“Foi algo interno (com a equipe). Algo entre nós. Foi uma decisão que tomamos. Como somos uma equipe tão profissional, não há uma única decisão que não seja discutida entre todos. Então, foi algo interno, e acabamos decidindo dessa forma”, disse o espanhol de 22 anos.
Quando a temporada terminou e chegou a hora de renovar o contrato, no início de dezembro, Ferrero teve que esperar duas semanas para receber a proposta do time de Alcaraz. Depois que ela chegou, ele teve apenas dois dias para ler e assinar. “Juan Carlos não aceitou, e eles não estavam abertos a fazer qualquer alteração”, disse uma fonte próxima ao ex-número 1 do mundo à CLAY.
Samuel López assumiu a liderança da equipe técnica de Alcaraz, tendo como principal objetivo do ano o troféu do Aberto da Austrália — o único título de Grand Slam que ainda falta no currículo do espanhol.
“Tudo continua praticamente igual. Tenho a mesma equipe do ano passado, com apenas um membro a menos. Não mudamos nada na nossa rotina”, disse Alcaraz.
“Obviamente, o treinador principal mudou, e cada um tem suas próprias ideias e maneira de trabalhar. Já trabalho com Samu faz um ano. Se ele é o segundo ou o primeiro treinador, não muda nada na maneira que ele contribui com suas opiniões e ideias, nem no seu método de trabalho. Eu conheço ele muito bem”, explicou.
Alcaraz fará sua estreia no Aberto da Austrália neste domingo contra o australiano Adam Walton.





