Um momento icônico ou uma extravagância sem sentido? Para quem entende do assunto, o look usado por Naomi Osaka no Aberto da Austrália se enquadra na segunda categoria.
“Se vestir como uma água-viva não é cultura. É fantasia”, disse Eliza Wastcoat, analista de moda especializada em tênis, à revista CLAY.
Osaka, 28, desprezou algo básico na terça-feira: ela entrou na Rod Laver Arena sem suas raquetes ou sua bolsa.
A jogadora japonesa fez provavelmente uma das entradas mais extravagantes da história do tênis quando começou a caminhar pelo túnel com o rosto escondido sob um chapéu de praia branco, uma sombrinha e um véu de noiva. Esses acessórios complementavam seu conjunto Nike inspirado em uma água-viva. Tudo estava lá, exceto o essencial.
E embora suas raquetes estivessem esperando por ela em sua cadeira, esse detalhe expôs toda a fragilidade da encenação, explica a especialista à CLAY.
“As opções exageradas e cafonas da moda não combinam com o legado da estética do tênis”, disse ela em sua conta do Instagram, em um vídeo em que criticou duramente a entrada de Osaka
”Parecia uma coisa barata, um monte de conceitos amontoados. É praia, é casamento, é parque aquático, é roupa de apicultor? Não. Não tem nenhuma valorização do esporte em si aqui”, insistiu Wastcoat no papo com a CLAY.
Wastcoat considera a aparição de Osaka em Melbourne uma escolha de péssimo gosto, desconectada do tênis, sem referências culturais e sem contexto.

O fato de sua adversária, a croata Antonia Ruzic, apresentar um visual totalmente diferente com uma roupa simples tornou o momento “ainda mais cômico”.
“É uma pena que alguém com uma plataforma tão ampla e a possibilidade de trabalhar com designers incríveis escolha esse rumo e não consiga achar uma maneira de se reconectar com o tênis”, disse “Liza West”.
“Isso não é um tapete vermelho, não é uma passarela: é um esporte.”
Aryna Sabalenka comentou sobre o assunto em um tom politicamente correto: “A moda é maravilhosa, pois permite que você se expresse sem julgamentos. Isso funciona muito bem para ela e sua personalidade. Eu faria uma entrada especial, mas meu estilo seria diferente.”
A Nike não permite que a bielorrussa tenha seus próprios looks ou uma coleção exclusiva, mesmo que ela sempre sugira novas ideias. É por isso que ver a aparição de Osaka na televisão deve tê-la deixado um pouco desconfortável.
“Os fãs ficam meio frustrados porque as número um do mundo não são tratadas da mesma forma. Isso não quer dizer que a Naomi não mereça o lugar dela, porque ela claramente merece. Ela é quatro vezes campeã de Grand Slam, é uma ótima tenista, mas está em um momento diferente na carreira. Essa é a realidade”, acrescentou Wastcoat.





