MADRID – Carlos Alcaraz sabe já faz um tempo que, se não acontecer nada de inesperado, os anais do tênis vão colocá-lo bem lá no topo. Mats Wilander, John McEnroe, Ivan Lendl e Andre Agassi vão ser devorados nos rankings históricos nos próximos anos, e só o tempo vai dizer se um dia ele vai se sentar na mesma mesa que Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer, o Big Three.
Com seis títulos de Grand Slam aos 22 anos e tendo Jannik Sinner como seu único grande rival — por enquanto —, Alcaraz está progredindo com uma velocidade impressionante. Na sua idade, Djokovic e Federer haviam conquistado apenas um título importante, enquanto Nadal já tinha cinco na sua sala de troféus. Alcaraz tem seis, dois em Roland Garros, dois em Wimbledon e outros dois no US Open. Em outras palavras, ele só precisa do Australian Open para completar o “Grand Slam da carreira”, uma honra reservada a apenas alguns poucos escolhidos. As estatísticas falam por si: apenas cinco jogadores conquistaram o Grand Slam da carreira na Era Aberta: Rod Laver, Andre Agassi, Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. E com certeza nenhum deles conseguiu isso aos 22 anos e 272 dias, que será a idade de Alcaraz quando a final for disputada neste domingo no Melbourne Park.
Em outras palavras, o jovem de Múrcia não só tem a chance de fechar o ciclo, mas também de ser o mais jovem a fazê-lo. É por isso que Alcaraz vem repetindo que seu principal objetivo para 2026 é vencer o Aberto da Austrália. Há alguns meses, ele disse que estaria disposto a abrir mão de dois Grand Slams este ano para levantar o troféu na Rod Laver Arena.

Mas agora ele dobrou a aposta: ele toparia ganhar na Austrália e perder Roland Garros, Wimbledon e o US Open. “Este ano eu poderia realmente mudar as coisas. Um de três, mas este ano, especialmente este” disse Alcaraz à rádio Cadena Cope após sua vitória sobre Tommy Paul nas oitavas de final.
O protegido de Samuel López enfrentará o australiano Alex de Miñaur nas quartas de final. Alexander Zverev o aguarda nas semifinais, enquanto Jannik Sinner ou Novak Djokovic o aguardariam na final.
“Não considero que esteja jogando melhor do que nos anos anteriores, porque nos últimos anos tenho jogado incrivelmente bem, mostrando um tênis de alta qualidade. Mas no ano passado enfrentei Djokovic nas quartas de final e hesitei. E contra jogadores desse calibre, não posso hesitar nem por um segundo”, respondeu Alcaraz à Cadena Cope. “Este ano estou me sentindo muito bem, melhorando a cada dia, e isso me dá muita tranquilidade, porque sei que, mesmo ganhando ou perdendo, vou jogar um bom tênis, e isso me dá segurança.
Alcaraz não está mais apenas buscando o título no domingo: ele busca ser uma lenda do tênis, uma lenda precoce. Na sua cabeça, a ausência de títulos nos outros Grand Slams do ano seria um preço justo a se pagar para ver seu nome eternizado, antes de qualquer outro na história, nos quatro grandes templos do tênis.





