MADRID – Se a “Alcarazmania” tivesse um presidente, Mats Wilander (Vaxjo, 1964) seria um sério candidato ao cargo. O ex-número um do mundo e sete vezes campeão de Grand Slam nunca escondeu seu “amor” pelo tênis e pelo sorriso de Carlos Alcaraz. Sempre que pode, ele o cobre de elogios. Porém, desta vez, o sueco tem um alerta para o murciano: tome muito cuidado com Novak Djokovic na final do Aberto da Austrália.
“Nunca aposte contra Novak Djokovic. É difícil imaginar que ele consiga vencer Sinner e Alcaraz consecutivamente em jogos de cinco sets, mas enquanto ele acreditar, ele será perigoso”, disse o sueco à CLAY em uma entrevista durante o Aberto da Austrália.
“Ele pode não ter muitas chances, mas com Novak, uma é suficiente”, acrescentou o ex-tenista, que faz parte da equipe de especialistas do Aberto da Austrália 2026, que podem ser acompanhados ao vivo e com exclusividade nos canais HBO Max e Eurosport.
Falando sobre o sérvio e seu legado, Wilander acredita que o tênis masculino precisa de um novo Djokovic, um jogador que mexa com a estrutura e mostre a Carlos Alcaraz e Jannik Sinner que o futuro não é só dos dois. “O tênis sempre precisa de um terceiro jogador pra quebrar a narrativa.”
– Com a permissão de Djokovic, o tênis parece pertencer a Sinner e Alcaraz. Você teme que a rivalidade se torne entediante se não houver ninguém para desafiá-los no futuro?
– Acho que não. Para uma rivalidade se tornar entediante, ela precisa perder seu nível ou emoção, e aqui acontece o contrário. O nível que eles alcançam quando se enfrentam é tão alto que cada partida é um acontecimento. O tênis sempre precisa de um terceiro jogador, alguém que apareça e quebre a narrativa, mas mesmo sem isso, essa rivalidade tem muitas camadas: diferentes superfícies, evolução técnica, maturidade mental. Não é repetitiva, é dinâmica. É um presente para o esporte.
– Você acha que a distância em relação aos demais vai diminuir ou aumentar?
– Acho que a distância pode aumentar um pouco. Isso não é uma crítica ao resto do circuito, é um elogio a eles. Sinner e Alcaraz ainda estão se aprimorando. Quando você já está no topo, é muito difícil melhorar, e mesmo assim eles estão fazendo isso. Para alcançá-los, os outros não precisam melhorar um pouco, precisam melhorar muito, e isso é muito difícil quando os melhores continuam avançando.
– Eles vão conseguir manter essa intensidade física por muitos anos?
– Essa é a grande questão para essa geração. O tênis que eles praticam é extremamente exigente, mas os jogadores de hoje treinam melhor, cuidam melhor de si mesmos e conhecem seus corpos desde muito jovens. Obviamente, os riscos existem, mas não vejo fragilidade. Vejo atletas completos. Se eles administrarem bem sua agenda, podem durar muitos anos.

– Você acha que a separação com Juan Carlos Ferrero vai afetar Alcaraz?
– Quando um treinador diz que uma separação “parte seu coração”, está sendo sincero. Carlos vai sentir isso. Mas não acho que isso vai afetar negativamente seu desempenho. Pode doer fora das quadras, mas Carlos tem uma aptidão única para competir com lucidez. Às vezes, uma separação como essa até acelera o amadurecimento de um jogador.
- Que conselho você daria a Carlos sobre a relação técnico-jogador?
- Eu tive relações muito intensas com meus técnicos. Aprendi que mudança não é traição, é evolução. Meu conselho a Carlos é honrar o que Juan Carlos lhe proporcionou, sem querer apagar esse capítulo, mas com a consciência de que agora o caminho é dele.
- Djokovic conseguiu uma façanha na sexta-feira contra Sinner. Será que ele é capaz de derrotar Sinner e Alcaraz consecutivamente em jogos de cinco sets?
- Nunca aposte contra Novak Djokovic. É difícil imaginá-lo derrotando Sinner e Alcaraz consecutivamente em jogos de cinco sets, sim, mas enquanto ele acreditar, ele será perigoso. Talvez ele não tenha muitas outras oportunidades, mas com Novak, uma é suficiente.
- Rafael Nadal estará na final no domingo. Para você, qual vazio é mais difícil de preencher? Federer ou Nadal?
- Federer deixou um vazio estético. Nadal deixou um vazio emocional. Roger fez as pessoas se apaixonarem pelo tênis. Rafa fez as pessoas acreditarem na capacidade ilimitada do ser humano. Se eu tivesse que escolher, diria que o espírito competitivo de Nadal é mais difícil de substituir.





