MELBOURNE – A Whoop, empresa responsável pelo dispositivo proibido no Aberto da Austrália, está agora tentando driblar as regras do torneio para que os jogadores possam usar seu produto em Melbourne — neste caso, escondendo-o em suas roupas íntimas.
“Estamos enviando nossa coleção Whoop Body a todos os tenistas do Aberto da Austrália. O sensor pode ser usado de forma discreta e eficaz em nossas novas roupas íntimas. Vai ser preciso uma revista íntima para evitar que o Whoop entre em quadra!”, disse o CEO da empresa em um vídeo publicado nas redes sociais.
A empresa já teria despachado caixas com sua linha de roupas íntimas Whoop Body com os nomes de Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Aryna Sabalenka. As peças contam com um bolso especial que permite encaixar o sensor, possibilitando que os jogadores monitorem seus dados fisiológicos sem dificuldade.
A iniciativa — claramente contra os regulamentos do torneio — vem depois que os organizadores proibiram jogadores, incluindo algumas das maiores estrelas do esporte, de usar o dispositivo durante as partidas, apesar de ele ser aprovado pela ITF, ATP e WTA.
Um porta-voz da Tennis Australia explicou à CLAY os motivos por trás da proibição: “Alguns desses dispositivos fornecem aos atletas um indicador da carga interna (métricas como frequência cardíaca), o que permite que eles tenham uma compreensão mais completa do esforço que estão realizando e de como seus corpos reagem. Atualmente, o uso de dispositivos vestíveis não é permitido nos torneios do Grand Slam, mas o Aberto da Austrália está envolvido em discussões contínuas sobre como essa situação poderia mudar.”
A Whoop, que conta com Cristiano Ronaldo entre seus investidores, agora está buscando maneiras de tornar mais difícil para os árbitros monitorarem os jogadores — aumentando a tensão em uma disputa que indiretamente coloca os principais órgãos reguladores do esporte uns contra os outros: os Grand Slams, a ITF, a ATP e a WTA.
Aryna Sabalenka criticou a proibição. “Usamos isso o ano inteiro nos torneios da WTA, por isso não entendo por que os Grand Slams não deixam a gente usar. Espero que reconsiderem a decisão e permitam que as jogadoras monitorem seus indicadores de saúde”, disse a número 1 do mundo, que é uma das principais embaixadoras da marca.
Alcaraz, por outro lado, foi mais cauteloso: “É algo que te ajuda a se cuidar melhor, a administrar o descanso, o treinamento e a carga de trabalho de forma mais eficaz… mas bom, não pude usá-lo durante as partidas, não tem problema. É só tirar e seguir em frente.”
O espanhol teve que remover o dispositivo antes de sua partida da quarta rodada contra Tommy Paul, depois que a árbitra Marija Cicak percebeu que ele usava o aparelho sob a faixa de pulso.





